Medo do quê?

 

Os medos infantis assumem formas diferentes, consoante as etapas de crescimento. Mas crescem e desaparecem com a idade

 

 

0-6 meses ¬ Ruídos fortes, sensações de perda de amparo ou desequilíbrio.

 

 

7-12 meses - Pessoas estranhas e situações imprevistas.

 

1 ano - Pessoas que não conhecem, ficar longe dos pais

 

 

2 anos - Ruídos fortes, estar longe dos pais, mudanças do meio envolvente.

 

 

3-4 anos - Máscaras, quartos escuros, animais, separarem-se dos pais.

 

 

5 anos – Ruídos, afastamento dos pais, feridas (medo de se magoarem), ambientes escuros, animais e pessoas más.

 

 

6 anos - Monstros e seres sobrenaturais. Dormirem ou ficarem sozinhos.

 

 

7-8 anos - Ficarem sozinhos, fantasmas, notícias que ouvem nos Media. Parecerem ridículos perante outros em determinadas situações.

 

 

9-12 anos – As transformações no seu corpo, a morte e os ferimentos corporais. Os exames escolares, as trovoadas, os relâmpagos, os tremores de terra e outras catástrofes naturais.

 

 

 

Fonte: Joana Sarmento Moreira, psicopedagoga

 

 

 

 

 

O medo de ter medo

 

Janelas, muros, grades e escadas. Os obstáculos eram reais, estavam por toda a parte, cresciam aos olhos da Margarida. Chegaram os 6 anos, a entrada na escola. Os inimigos mantinham-se. Destinaram-lhe uma sala de aula no primeiro andar. Margarida (nome fictício) chegava ao colo dos pais ao cimo das escadas e só em piso firme colocava os pés no chão. «Era um caso muito curioso. Não havia uma razão aparente. A mãe não conseguia explicar o medo das alturas da filha. Desde os 3 anos que era assim, começava a tremer e ficava pálida sempre que se deparava com um degrau, uma elevação», conta Rosália Ferreira, professora do primeiro ciclo do ensino básico. A situação, recorda anos mais tarde, foi um desafio para todos. «Foi feito um trabalho muito giro, que envolveu também os pais, com a ajuda de um psicólogo e um professor de educação física». O medo da Margarida foi contado aos outros colegas. A menina aproveitava o intervalo para fazer exercícios com um banco sueco. Recebia palmas a cada pequena vitória. E, a pouco e pouco, foi perdendo o medo. «A fobia é o medo por antecipação. É o medo de ter medo. E afecta crianças e adultos», garante o psicólogo Eduardo Sá. Os sinais de uma fobia são sobretudo físicos. «As crianças dizem que as pernas tremem, que sentem o coração a bater muito, queixam-se de falta de ar», descreve Rosália Ferreira. Margarida terá sido um caso excepcional na sua carreira de docência, mas não o único. «Numa outra escola, tivemos também um miúdo com fobia de animais. O medo era muito real. Ele até dizia que sentia uma pressão no peito», diz. «Quando há uma fobia, a criança evita o confronto com o estímulo desse medo grave. Não consegue enfrentá-lo. Sente dores de barriga, as mãos a suar - aquilo a que os especialistas chamam ‘sintomatização’. Ela não está a mentir. É um medo patológico, paralisante», confirma Joana Sarmento Moreira. As fobias condicionam o comportamento das crianças e, muitas vezes, os pais não conseguem lidar com a situação sozinhos. Quando se veem confrontados com um medo impróprio para a idade, sério e persistente no tempo, é importante que peçam ajuda. Há medos que passam com a idade e não há uma relação directa entre a fobia de um adulto e os receios que sentiu em criança. «Mas um medo mal resolvido pode tornar-se uma fobia grave», alerta a especialista.

 

 

 

 

 

 

A química do medo

 

 

 

O corpo humano reage de imediato ao perigo, ainda que imaginário.

 

 

 

Cérebro - Nas têmporas, as amígdalas cerebrais comunicam a ameaça ao hipotálamo, que controla todo o metabolismo. Numa fracção de segundo, a produção de adrenalina, noradrenalina e acetilcolina intensifica-se. Várias partes do corpo reagem a essa alteração hormonal.

 

 

 

Olhos - As pupilas dilatam. Isso diminui a capacidade de reparar nos detalhes do cenário envolvente, mas aumenta o poder de visão global. Em tempos ancestrais, o recurso à alteração da pupila permitia que o Homem, no escuro das cavernas, identificasse um predador e quase em simultâneo as possíveis rotas de fuga.

 

 

 

Coração e pulmões - O aumento do nível de adrenalina acelera os batimentos cardíacos. Há uma maior irrigação sanguínea e isso faz com que o cérebro e os músculos trabalhem mais intensamente. O medo deixa a pessoa alerta e torna-a mais ágil.

 

 

 

Estômago - O aumento da produção de acetilcolina provoca dores abdominais. Os sucos gástricos são libertados em maior quantidade para acelerar a digestão e transformar rapidamente os alimentos em energia útil na resposta ao perigo

 

 

 

Fonte: Frederico Graeff, Universidade de São Paulo (revista Veja)

 

http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-3-aos-5-anos/5964-mae-tenho-medo?start=2

publicado por salinhadossonhos às 12:06