Os gesto de afeto reforçam condutas positivas e criam um clima saudável que os ajuda a crescer.
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Beijos, conversas, sorrisos, olhares, abraços, carícias... têm uma forte capacidade de estimular a criança pois todos necessitamos de reconhecer e ser reconhecidos e sentir que "eu existo, tu existes".
Nem sempre temos consciência do peso educacional de "pormenores" como uma carícia; o calor familiar que se transmite à criança quando a família prepara e partilha de manhã, em conjunto, a mesa do pequeno-almoço; ou os pais despedirem-se todos os dias dos filhos, explicitamente, antes de irem trabalhar. Um beijo ou um abraço faz as crianças sentirem-se queridas, desejadas e protegidas. Neste ambiente "de amor" até o ensino das regras e a aprendizagem de tarefas se tornam mais fáceis. E faz parte das mostras do afeto que temos pelos nossos filhos. A longo prazo, estas condutas construtivas repercutem-se no bem-estar de todos porque se perpetuam no tempo, pois vão passando de geração para geração.  Para além de alimento, água, higiene e calor, a criança precisa do contacto com os outros para crescer, desenvolver-se e sobreviver. Os estímulos - neste caso as carícias - são indispensáveis para um desenvolvimento harmonioso. Sem amor é mais difícil crescer. Está demonstrado cientificamente que a privação sensorial num bebé pode ter como resultado não só alterações psíquicas como orgânicas generalizadas. No ventre materno, o feto está em contacto íntimo e total com a mãe, em toda a sua superfície corporal. Ao nascer, esta intimidade é quebrada bruscamente, sendo que a partir daí é o próprio indivíduo que tem de lutar com o meio e as circunstâncias que o rodeiam para conseguir de novo reencontrar esse ideal. Ser abraçado, acariciado, protegido, elogiado... é um meio para lá chegar.

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Talvez esteja na altura de refletir sobre as grandes mudanças produzidas nos últimos anos na nossa forma de viver. Hoje e cada vez mais as crianças passam muito tempo sozinhas, não vivendo a seu ritmo. Fazer tudo muito depressa parece ser o mais importante e depois não há tempo para escutar, contar histórias ou brincar com os filhos. Estamos demasiado cansados. As crianças vivem com stress, com uma vida demasiado preenchida, cheia de atividades escolares e extra-escolares. Nesta altura, muitos pais já se demitiram do seu papel imbuídos pelos ditames de uma sociedade cada vez mais fria e distante dos afetos. Não têm critérios educativos e tentam compensar a falta de tempo ou de disponibilidade e dedicação tratando-os com excessivamente permissividade ou oferecendo bens materiais. Das três formas clássicas de educação - autoridade, competência e confiança - talvez só funcione a última. Os pais querem democratizar a sua relação com os descendentes adotando estas atitudes protetoras mas desprezando as relações de autoridade que facilitariam o cumprimento das regras. Mais parece que certos pais têm receio de amadurecer ou de assumir o seu papel. Há que reconsiderar esta postura.  Por outro lado, os excessos são igualmente desaconselhados. Não devemos abusar do mimo porque deixaria de ser eficaz. Assim, há que conseguir encontrar um ponto de equilíbrio entre mimo e autoridade.

Crianças com falta de afeto apresentam maior angústia, agressividade, dificuldade  em fazer e ter amigos, insegurança, sintomas de rejeição, atitude reservada...
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O poder das carícias ou da ausência delas é enorme. Por detrás de uma situação de insucesso escolar, por exemplo, pode existir um problema de escassa afetividade, especialmente se os pais não assumem devidamente as suas responsabilidades e o seu papel enquanto modelos e referentes.  Existem muitos tipos de famílias, cada um deles com as suas particularidades. Nas monoparentais verifica-se ou muita solidão ou superproteção. São crianças que passam muitas horas sozinhas, por exemplo a ver televisão, ou então não dão um passo sem o controlo da mãe ou do pai, consoante os casos. Atrás de um excesso de birras ou de atitudes de oposição podem estar uns pais desestruturados enquanto casal e cuja situação se reflete nos filhos. Por vezes, quando os pais de separam e voltam a constituir família acabam por ceder e consentir muitas situações para evitar conflitos. Muitos dos problemas educativos que hoje se colocam poderiam resolver-se se os pais aprendessem a ser pais. Os papéis parentais classicamente definidos diluíram-se, o que pode ser positivo se se partilharem obrigações e regras educativas, mas que se torna pernicioso se o posicionamento for o afastamento ou o abandono de responsabilidades. Além disso nunca podemos esquecer que as crianças, por mimetismo, absorvem como uma esponja o estilo relacional dos seus pais. E a influência e o exemplo dos progenitores é inquestionável. Neste contexto, um dos melhores mimos que se pode dar a uma criança é dedicar-lhe tempo e atenção. Porque há, sem sombra de dúvida, uma correlação positiva entre ternura, cuidado, afeto e atenção e o bom desenvolvimento psicológico, emocional, intelectual e físico.
publicado por salinhadossonhos às 01:29