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Terça-feira, 10 / 03 / 15

É fácil estragar um filho

Escrito por Eduardo Sá Quarta, 18 Junho 2014 

 Não é verdade que as crianças deviam vir equipadas com manual de instruções. Mas também não acredito que, apesar desse desabafo ter virado moda, os pais – os bons pais, claro – ganhassem o que quer que fosse se isso se desse assim. E se as crianças viessem equipadas com manual de instruções?

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Não é verdade que as crianças deviam vir equipadas com manual de instruções. Mas também não acredito que, apesar desse desabafo ter virado moda, os pais – os bons pais, claro – ganhassem o que quer que fosse se isso se desse assim. E se as crianças viessem equipadas com manual de instruções? Os pais adormeciam para o “equipamento de base” indispensável de que dispõem para serem bons pais: o sexto sentido (que é uma espécie de instinto de adivinhar, que os habilita para ler as meias-palavras, as entrelinhas e os silêncios dos filhos), o bom senso (que os leva, antes de esgotarem as suas quotas de parvoíce, a chegar “num pulo” ao sentido de justiça) e o coração grande (e a cabeça quente) com que se vai da ternura, ao carinho e à bondade.

 Os pais não precisam, portanto, de um manual de instruções para serem bons pais! Por mais que menos irmãos, menos sobrinhos e menos afilhados, no seu crescimento, representem menos oportunidades para apanharem o jeito de ler e de legendar as manhas, as manias e o jeito de amar (imenso mas desengonçado) de todas as crianças. E não precisam dele mesmo que menos crianças a nascer não pressuponha mais oportunidades para serem melhores pais. Os pais precisam, isso sim, de se aventurar pelas suas experiências de filhos e de ser tagarelas, todos os dias, com essas memórias, de mansinho. Mesmo que, amassados por elas, às vezes o coração se feche e dê um nó e desse modo eles descubram que há pessoas que até quando choram são bonitas.

Os pais não precisam de um manual de instruções para serem bons pais! E, muito menos, de serem – pai e mãe – concertados nas opiniões que têm acerca dos comportamentos e dos trejeitos das crianças. É, portanto, mentira que os bons pais para serem irrepreensíveis como pais, estejam proibidos de discordar ou de discutir. E, muito menos (por mais ternurenta que seja a convicção profunda com que o afirmam) que jamais se possam desautorizar um à frente do outro – e ambos “nas barbas” duma criança – como se ela, sempre que sente o olhar dos dois em rota de colisão, não descortinasse nas suas testas “luzinhas” de cores contraditórias a acender e a apagar. Sempre que os pais se juntam num só erro cada um é para o outro o manual de instruções que lhe faz falta!

 Os pais não precisam de um manual de instruções para serem bons pais! Porque isso talvez os leve a querer serem exemplares. Ou irrepreensíveis. Ou bem comportados. Ou aprumados. Ou atilados, até... Sempre que exigem ser mais ou menos perfeitos falta-lhes, isso sim, um bocadinho de alma e de insolência no coração para que, em cada uma das suas hesitações, encontrem o fio da meada dum novo manual de instruções. É bom, por isso, que (no meio duma birra de pais) eles “fervam em pouca água!”. Ou que tenham o coração ao pé da boca. Ou, sempre que se enfurecem, digam o que querem e o que não querem. As crianças não tiram os pais do sério: devolvem-nos ao sério! Afinal, sempre que erram muitas vezes, as crianças não deixam que os pais fiquem sempre presos ao mesmo erro!

Os pais não precisam de um manual de instruções para serem bons pais! Porque isso talvez os levasse a ignorar que, depois das crianças, os melhores manuais de instruções de que dispõem são a sua própria infância e os pais que eles tiveram. Mas serão os pais... bons filhos? Não no sentido de dizerem sim a todos os caprichos dos seus pais, a nunca os contrariarem ou a serem uma espécie de seus “oficiais às suas ordens”, mas de lhes darem colo e carinho, de falarem por eles (mesmo quando se trata de se aventurarem pelos seus silêncios), ou de exigirem ser escutados (em vez de se ficarem por mais um: “ele não vai entender”)? Serão os pais bons filhos, quando se trata se reconhecerem nos seus próprios pais a sabedoria que faz com que eles sejam, para sempre, a sua “entidade reguladora”, e não vacilando, sequer, mal eles ameaçam desistir, os proíbem de começar a morrer? Será a maioria dos pais bons filhos? Não! E será que podemos ser bons pais e maus filhos, ao mesmo tempo? Também não! Sendo assim, há um manual de instruções escondido na maneira com que os pais se resgatam para que sejam, hoje, pelos seus seus gestos, os filhos que desejaram toda a vida vir a ser: para serem bons pais, não precisam de manuais; basta que se sejam bons filhos!

 Em resumo, é fácil estragar um filho: eduque-o com um manual de instruções! Daqueles que acham que a escola é mais importante que a família, que brincar vale menos que aprender, e que as histórias, ao pé dos algarismos estão sempre a mais. Ou daqueles que se alarmam sempre que as crianças “falam pelos cotovelos” ou fazem tudo para não perderem a “língua de perguntador”. Ou de outros, ainda, que recomendam que as crianças só devem ser repreendidas sempre que aceitam ser contrariadas. É fácil estragar um filho. A fórmula para isso será mais ou menos assim: quanto mais manuais, piores pais!

Mas se os quiser ignorar, não perca de vista que os pais não precisam de um manual de instruções! Porque isso pressupõe que por trás duma criança há sempre uma dor de cabeça, e que eles, para que sejam especiais, terão de ser pais-aspirina. É, portanto, indispensável que os pais errem! Muitas vezes! E que, de problema em problema, casem errar com aprender.

 

Assim, talvez os pais nunca percam de vista que os melhores manuais sobre as crianças são os erros. Dos pais!

http://www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/eduardo-sa/7159-e-facil-estragar-um-filho

publicado por salinhadossonhos às 17:24
Sexta-feira, 06 / 03 / 15

Quinta Pedagógica - Confeção de pão

No dia 03 de Março de 2015, fomos à quinta pedagógica aprender a fazer pão.

        Primeiro ouvimos uma explicação sobre os tipos de pão e os diferentes cereais: centeio, milho, trigo, cevada, aveia e arroz.

Colocamos os aventais, os manguitos e as toucas e lavamos as mãos bem lavadas. De seguida encostámo-nos à mesa onde iríamos trabalhar  aos pares e ouvimos a explicação da Dona Helena sobre a confeção do pão de milho. Usamos farinha de milho, centeio e trigo, sal, fermento padeiro e água quente.

 Depois a Dona Helena deitou um pouco de água nos copos e destapou as bacias onde estava a farinha de milho, o sal e o fermento padeiro. Enquanto um menino deitava a água na bacia, o outro ía misturando e amassando tudo com as mãos. A seguir juntamos a farinha de centeio mais um pouco de água e por fim a farinha de trigo. Misturamos, amassamos muito bem, demos “murrinhos” e fizemos uma bola.

Colocamos as nossas bacias no meio da mesa e a Dona Helena tapou-as com uma toalha para levedar durante 30 minutos. Depois moldou  bolinhas e meteu-as num tabuleiro no forno.

     Fomos dar um passeio pela quinta e quando chegamos o pão de milho estava pronto. Levámos o nosso pão de milho para casa e partilhamos com a família.

Estava uma delicia!

 

Os nossos registos

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publicado por salinhadossonhos às 19:54
Terça-feira, 03 / 03 / 15

Provavelmente

Escrito por Eduardo Sá Quinta, 26 Junho 2014  

O que me parece fascinante é que as crianças, logo depois de dizerem “porquê”, pareçam tão capazes de dizer “provavelmente”.

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Por outras palavras: sentir é interpretar. E, sendo assim, aprende-se a ler nos olhos de quem nos lê. Os livros, esses, lêem-se nos olhos de quem no-los lê.

 

Vou contar-vos uma história do meu querido amigo João Carlos Gomes Pedro. Irei, seguramente, adulterá-la. Porque não conseguirei reproduzir todo o afeto com que a escutei. Mas a sabedoria que ressalta da história é tão contagiante que decidi, com a licença do meu amigo, compartilhá-la convosco.)

1. Era uma vez um rei que reuniu todos os sábios do seu reino e pediu-lhes que resumissem toda a sua biblioteca num só livro. Os sábios protestaram, considerando que a tarefa estaria muito para além do seu engenho. Como o rei não lhes deu alternativa, resignaram-se e, cinco anos depois, trouxeram-lhe um livro com 600 páginas. O rei, depois de o ler, chamou-os. E pediu-lhes que o resumissem numa folha. Os sábios, se bem que tenham protestado, recolheram-se por cinco anos mais, tentando cumprir a sua vontade. Depois de ler a folha, o rei convocou-os, uma última vez. E pediu-lhes que a sintetizassem numa única palavra. Recolhidos de novo, os sábios, ao fim de cinco anos, regressaram com tão engenhosa tarefa já vencida. Entregaram--lhe um pequeno papel, onde, com delicadeza, a traziam escrita. O rei, desdobrou o papel e leu-a, de forma atenta e curiosa. A palavra era: “provavelmente”.

 

2. Há muito tempo, chamava a atenção para o modo como as crianças, primeiro, aprendem a dizer “não”. Só depois, dizem “sim”. Mais tarde, usam o “porquê”. Para que, de seguida, digam “eu”. “Provavelmente” será, entre todas as palavras, aquela para a qual as crianças estão aptas, desde sempre, para compreender mas só quando se tornam sábias a irão aprender a usar. Talvez porque só quem diga “não” e “sim”, “porquê” e “eu”, ao mesmo tempo, consiga – então – dizer “provavelmente”.

 

3. O que me parece fascinante é que as crianças, logo depois de dizerem “porquê”, pareçam tão capazes de dizer “provavelmente”. Dizem--no, de forma mais ou menos implícita, quando, por exemplo, ainda muito pequenas, usam “termos caros” e, sem saberem o seu significado os utilizam de forma irrepreensível. Tudo como se dissessem, por outras palavras, “provavelmente”. Porque é que, então, quem está tão apto, desde tão cedo, para ler o mundo e as pessoas, se torna, tantas vezes, incapaz de ser amigo da leitura? Se nascemos tão capazes de ler o significado das palavras, e de o ler nas entrelinhas, o que fará com que as palavras se tornem, tantas vezes, inimigas da leitura? Porque é que, aparentemente, a escola – quando não deixa que se converse ou quando manda de castigo um aluno para a biblioteca – parece estragar a capacidade que todos temos para dizer “provavelmente”?

 

4. Não é possível que as crianças aprendam sobre tudo enquanto desconhecem quem têm junto a si. Sendo assim, aprendem a ler quando, na dança de apelos que existe entre o bebé e a mãe, ganha sentido uma fórmula cara a Hugo: “lê-me, lê-me para que eu te possa ler”. Antes de lerem palavras as crianças interpretam sentimentos, numa reciprocidade em que é expectável que a mãe lhos legende de acordo com aquilo que eles sentem.

 

Ler não é, então, juntar letras e palavras: é conjugar sentimentos. Mas, sendo assim, quando começamos a ler: quando se articulam os sons e os transformamos em palavras, ou quando as interpretamos? Quando interpretamos as palavras. Mas será que interpretamos os outros sem nos interpretarmos neles? Não! E é possível ler sem escutar? É.

 

5. Por outras palavras: sentir é interpretar. E, sendo assim, aprende-se a ler nos olhos de quem nos lê. Os livros, esses, lêem-se nos olhos de quem no-los lê. Ou, ainda (como se fosse uma operação matemática): ver x escutar = ler! Isto é: a educação musical e a educação visual são os melhores amigos da leitura. Já escrever supõe que sinto, que vejo, que escuto e que desenho. Ou seja: um corpo mal-educado para a tonicidade, para o movimento e para o ritmo zanga-se com a escrita. Já escutar e desenhar, dizer “não” e “sim”, “porquê” e “eu” tornam-nos, então, capazes de transformar todos os livros num só “provavelmente”.

publicado por salinhadossonhos às 17:25

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