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Terça-feira, 20 / 05 / 14

O que deve saber uma criança de 4 anos?

Esta semana estive na escola dos meus filhos, na festa que normalmente é preparada entre alunos e professora para celebrar o dia da mãe. Nestas reuniões temos sempre a oportunidade de nos cruzarmos com umas espécies, também elas mães, que encaram a maternidade como uma corrida. Uma verdadeira corrida contra o tempo e contra a criança. Trata-se de uma competição renhida que disputa o troféu “Estatuto de melhor mãe”. O problema é que é considerada “a melhor mãe” aquela que apresentar o número mais rico neste concurso de talentos e destrezas do filho, como se se tratasse de um concurso de saltos de pulgas amestradas.

“A minha filha de 4 anos sabe o alfabeto completo, soletra 10 palavras, e sabe fazer contagem decrescente desde o 100. Anda de bicicleta, monociclo e faz surf. Mas claro, o surf é só nos dias que não vai para o Ballet, porque a dança é mesmo a sua paixão desde os 2 anos… E a sua filha, o que é que faz?”

“A minha filha brinca!”

E vejo aquela cara de suspense à espera que eu acabe a frase, como se fosse obrigatório acrescentar mais qualquer coisa.

Esta moda de que crianças têm de saber fazer várias coisas para se tornarem adultos de sucesso e, devem frequentar várias atividades para desenvolver mais competências (e o tempo para brincar, onde fica?) não podia ser mais absurda.

Resolvi fazer uma pesquisa para perceber se havia ou não “metas” que as crianças deveriam alcançar com esta idade.

Encontrei um artigo de uma mãe de 5 filhos que escreve o blog A Magical Childhood, que vai exatamente de encontro a este meu pensamento. Alicia Bayer criou uma lista simplesmente deliciosa que define o que uma criança de 4 anos deve saber e outra, que considera mais importante, que define o que os pais devem saber. Foram traduzidas e adapatdas pela Up To Lisbon Kids, e aqui ficam:

Uma criança de 4 anos deve saber que:

  • É amada total e incondicionalmente , todo o tempo.
  • Está segura.Deve saber regras de segurança para se manter segura em público, com outras pessoas, e em situações diferentes. Deve saber que não tem de fazer coisas que não quer ou que com as quais não se sente bem, independentemente de quem lhe peça para o fazer.
  • Deve saber rir com vontade, ser pateta quando lhe apetece, e ser criativa. Deve saber que o céu pode ser pintado de cor de laranja se quiser, e que pode desenhar gatos de 6 pernas. Deve saber usar a imaginação.
  • Deve saber de que é que gosta, quais são os seus interesses e deve poder descobri-los e desenvolvê-los. Se não se interessa por números, os pais devem perceber que vai aprende-los sem querer, vai acabar por tropeçar neles e mergulhar nesse novo mundo deixando para trás os dinossauros, as bonecas ou as sopas de lama.
  • Deve saber que o mundo é mágico e ela também. Deve saber que é maravilhosa , brilhante , criativo, compassivo e única. Deve saber que é tão importante fazer colares de flores, castelos na areia, e casas de fadas como praticar a fonética.

Os pais precisam de saber que:

  • Cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer contas no seu próprio ritmo e isso não terá qualquer influência sobre a forma como ele vai andar, falar, ler ou fazer contas.
  • Que o único grande preditor de alto desempenho académico é a leitura para as crianças. Não são livros de atividades, não são infantários da moda, não são brinquedos com luzes ou computadores, mas sim a mãe ou o pai (ou os dois) a passarem tempo com os filhos todos os serões e ler-lhes uma história.
  • Que o melhor aluno da turma nem sempre é o mais feliz. Não há nada que relacione o bom desempenho escolar nestas idades com a felicidade de cada criança. Às vezes estamos tão envolvidos a tentar criar vantagens na educação dos nossos filhos que acabamos por sobrecarrega-los com atividades, tornando o seu dia a dia tão stressante e preenchido como o nosso. Uma das maiores vantagens que podemos dar aos nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.
  • Que os nossos filhos merecem crescer rodeados de livros, natureza, fontes da arte e ter a liberdade para  explorá-las. A maioria de nós poderia livrar-se de 90% dos brinquedos dos nossos filhos que não faria qualquer diferença, mas há algumas coisas que são importantes: brinquedos construtivos, como legos e blocos, brinquedos criativos, como todos os tipos de materiais de arte, instrumentos musicais ( reais e uns multiculturais ), vestir roupas e disfarces e livros , livros , livros. 
  • Que os nossos filhos precisam mais de nós. Mais do nosso tempo. As revistas para pais recomendam que consigamos dedicar 10 minutos diários a cada filho e que as famílias devem organizar pelo menos um sábado de atividade conjuntas. Isso não é o suficiente! Os nossos filhos não precisam das consolas, dos computadores, das atividades extra-escolares, das aulas de ballet ou do futebol como precisam de nós.
  • Precisam de pais que se sentem e conversem com eles sobre como foi o dia, de mães façam trabalhos manuais com eles. Precisam de pais que leiam histórias com eles e façam figuras de parvos a criar diferentes vozes para os personagens, só porque é mais divertido.
  • Precisam de pais que passeiem com eles e não se importem de fazer o trajeto a velocidade caracol, e se necessário uma parte ao colo. 
  • Precisam de pais que tenham tempo para os deixar ajudar a fazer o jantar, ainda que muitas vezes só atrapalhem.
  • Precisam de saber que são uma prioridade para nós. Que estão à frente de tudo, e que nós, pais, gostamos realmente de passar tempo com eles.

Afinal, que precisa uma criança de 4 anos?

Muito menos do que no apercebemos, e muito mais…

imagem@Tricae

 

http://uptolisbonkids.com/2014/05/10/o-que-deve-saber-uma-crianca-de-4-anos/

publicado por salinhadossonhos às 21:21
Terça-feira, 18 / 03 / 14

Pedido de uma criança a seus pais.

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Esse é um texto que recebi logo que meu filho entrou no jardim de infância, mas que já li por aí também e ao qual recorro algumas vezes por ano, para me lembrar do que é fundamental para uma criança. Espero que inspire essa semana que começa. Chama-se Pedido de uma criança a seus pais.

 

Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais seguro. 

Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo o que peço. Só estou experimentando vocês.

Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo, o que é errado.

Não me corrijam com raiva, nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se me falarem com calma e em particular.

Não me protejam das conseqüências de meus erros. Às vezes eu preciso aprender pelo caminho áspero. 

Não me impeçam de praticar o que já aprendi, pois é através de minhas experiências no mundo que posso me reconhecer como ser.

Não levem muito à sério as minhas pequenas dores. Necessito delas para poder amadurecer. 

Não sejam irritantes ao me corrigirem. Se assim o fizerem, eu poderei fazer o contrário do que me pedem. 

Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Lembrem-se que isto me deixa profundamente desapontada. 

Não ponham à prova a minha honestidade. Sou facilmente tentado a dizer mentiras.

Não me apresentem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastaria Dele. 

Não desconversem quando faço perguntas, senão serei levado a procurar as respostas na rua todas as vezes que não as tiver em casa. 

Não se mostrem para mim como pessoas infalíveis. Ficarei extremamente chocada quando descobrir um erro de vocês. 

Não digam simplesmente que meus receios e medos são bobos. Ajudem-me a compreendê-los e vencê-los. 

Não digam que não conseguem me controlar. Eu me julgarei mais forte que vocês.

Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Lembrem-se que eu tenho o meu próprio modo de ser.

Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto irá criar em mim, mais cedo ou mais tarde, o espírito de intolerância.

Não se esqueçam de que eu gosto de experimentar as coisas por mim mesma. Não queiram ensinar tudo pra mim. 

Não tenham vergonha de dizer que me amam. Eu necessito desse carinho e amor para poder transmiti-lo à vocês e aos outros. 

Não desistam nunca de me ensinarem o bem, mesmo quando eu parecer não estar aprendendo.  Insistam através do exemplo e, no futuro, vocês verão em mim, o fruto daquilo que plantaram.

Não achei o autor, mas é atribuído a Fenix Faustine, de quem tão pouco encontrei referências confiáveis. De qualquer maneira, é um bom guia, não?

 

http://antesqueelescrescam.com/2014/03/09/um-pedido-aos-meus-pais/

publicado por salinhadossonhos às 16:22
Terça-feira, 18 / 02 / 14

Explique-lhe o valor do esforço

António Mazzi Como estragar um filho em dez jogadas Lisboa, Paulus Editora, 2006

 

Explique-lhe o valor do esforço

  • O esforço ajuda a realizar as próprias potencialidades

Quando o nosso trabalho começa a dar frutos, sentimo-nos estimulados a redobrar esforços, porque vislumbramos novas possibilidades. O êxito confere autoconfiança e a autoconfiança facilita outros êxitos posteriores.

  • O esforço ajuda a enfrentar a vida

A vida é dura. Cada dia coloca-nos diante de uma escolha: recriminarmo-nos pelas dificuldades ou enfrentá-las. A intenção de se empenhar a fundo e uma atitude positiva são os melhores instrumentos de que o seu filho poderá dispor.

  • O esforço faz-nos sentir bem

Não há maior satisfação do que aquela que se experimenta quando se levou ao fim um projecto com a consciência de ter dado o melhor de si.

  • O esforço tempera o carácter

Nada nos qualifica melhor que a vontade de investir as nossas energias. Trabalhar com empenho e honestidade faz ressaltar quanto de bom há em nós.

  • Com o esforço ganhamos o respeito dos outros

Quando fazemos o nosso melhor com constância, suscitamos a admiração e conquistamos a confiança dos que estão à nossa volta. Além disso, a nossa boa reputação é consolidada.

  • O esforço reforça a nossa auto-estima

Trabalhando duro sem nos pouparmos, adquirimos maior estima por nós mesmos. Quer os nossos esforços sejam coroados de sucesso, quer não o sejam, cada tentativa levada a cabo tem em nós um efeito positivo.

  • O esforço reforça o sentido do que procuramos alcançar

O esforço a que nos submetemos para alcançar as nossas metas é uma das experiências mais ricas da vida. Até alcançarmos um objectivo, encontraremos motivos válidos para nos levantarmos da cama cada manhã.

  • O esforço leva-nos a melhores resultados

Quando somos produtivos, a vida torna-se mais interessante e agradável. O sentir-se compensado é o resultado de um compromisso constante e ao abrigo de recriminações.

  • O esforço torna-se um hábito

Os bons hábitos fazem parte dos principais ingredientes do sucesso. Os mais importantes são a honestidade, a boa educação e a constância no compromisso.

  • O esforço é salutar

Quando trabalhamos arduamente, utilizamos o nosso corpo e a nossa mente de modo positivo, o que é extremamente benéfico. Quem explora a fundo as próprias energias ganha saúde e longevidade.

 

http://contadoresdestorias.wordpress.com/2009/06/18/explique-lhe-o-valor-do-esforco/

publicado por salinhadossonhos às 01:48
Terça-feira, 07 / 01 / 14

5 regras de educação essenciais

       

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Conselhos que os pais devem (mesmo) seguir

Têm muitas vezes cara de anjinhos mas transformam-se em pequenos diabinhos enquanto o Diabo esfrega um olho, como diziam os mais antigos. Não se pode, por isso, facilitar muito.

 

Não existem fórmulas mágicas para educar os filhos nem manuais de instruções para os formatar mas existem algumas regras que os pais devem tendencialmente seguir.

 

É, de um modo geral, consensual entre os especialistas desta área que os progenitores e os educadores assumem um papel preponderante neste processo, pelo que existem normas que devem ser introduzidas e aplicadas no dia a dia dos mais pequenos:

 

1. Não seja demasiado autoritário nem demasiado permissivo. Equilíbrio é a palavra-chave. A disciplina consiste em 90% de prevenção e 10% de punição.

 

2. Seja consistente na educação que dá aos seus filhos. Utilize uma linguagem afirmativa, positiva e construtiva e seja um exemplo para eles. O que faz é mais importante do que o que diz e é preciso ter sempre em conta que, além de serem bons observadores, os mais pequenos tendem sempre a imitar os adultos.

 

3. Imponha limites e faça com que sejam cumpridos. Ninguém nasce ensinado mas exerça a sua autoridade de modo a que a criança se sinta independente dentro dos limites estabelecidos.

 

4. As crianças devem aprender com as consequências das suas atitudes. Por exemplo, se desarrumam todos os seus brinquedos devem ser elas próprias a arrumar tudo quando terminam de brincar.

 

5. Dar atenção, encorajar e elogiar o bom comportamento são a melhor forma de prevenir birras. Use estes métodos no seu dia a dia para promover o melhor desenvolvimento interpessoal, social, educacional e civilizacional do seu filho.

 

http://crescer.sapo.pt/parceiros/saberviver/5-regras-de-educacao-essenciais

publicado por salinhadossonhos às 01:47
Segunda-feira, 23 / 12 / 13

Natal em grande para os mais pequenos

Tudo o que não pode esquecer

Os mais pequenos andam entusiasmados e já só pensam nos presentes. Para que as suas crianças tenham um Natal ainda mais feliz, não se esqueça das suas necessidades na hora dos preparativos da quadra natalícia.

 

Quando for às compras, evite ao máximo levá-los atrás.

 

Esta será uma das atitudes mais sensatas. Além de perder menos tempo a procurar as prendas para oferecer, vai passar metade do tempo a ver se não os perde na confusão das lojas e dos abarrotados centros comerciais.

 

Como se não bastasse, as crianças, que já andam agitadas com toda a animação da quadra, correm o risco de ficar ainda mais excitadas. Se a maratona de compras for longa, vão ficar cansadas e saturadas e vão entrar numa fase em que pedem tudo o que vêem.

 

Como não lhes vai fazer a vontade, as mais pequenas tenderão a amuar e a fazer birras, o que acabará por dar cabo da sua paciência, desviando-a dos seus objetivos iniciais. E, mesmo que tudo corra bem, vai ter que parar por diversas vezes para lanchar, para lhe dar água e para o levar à casa de banho.

 

À medida que for confirmando as presenças para a noite de Natal, informe-se se algum convidado tem exigências especiais em termos de menu. Tenha especial atenção às necessidades das crianças. Muitas não comem bacalhau com couves nem muitos dos doces tradicionais da época.

 

Na hora de ir às compras para a consoada, lembre-se de adquirir alimentos fáceis de preparar de que as crianças gostem. Uma sopa de legumes para iniciar a refeição afigura-se uma excelente opção. Tente que as crianças fiquem todas juntas na hora da refeição. Faça um plano da mesa, dispondo os convidados por afinidades ou temas de conversa. Caso haja muitas crianças, crie uma mesa infantil, usando loiça mais resistente para evitar acidentes e estragos maiores.

 

Pelo sim pelo não, prepare uma caixa SOS com antiácido, aspirina, pensos, gaze e outro material útil para uma possível emergência. No meio da confusão festiva, há sempre uma criança que cai ou que se magoa. 

 

Incuta-lhes o espírito natalício

 

Estimule o espírito natalício das crianças que o rodeiam. Pegue nos enfeites do ano anterior e veja quais podem ser reutilizados. Se tiver filhos envolva-os no projecto de decoração da casa.

 

Para conseguir uma árvore de Natal ainda mais original, peça-lhes para recortar figuras douradas e prateadas e junte-as às decorações tradicionais.

 

Use-as também para enfeitar as portas e as janelas, explicando-lhes que o Natal não é só receber prendas. Também é ajudar na festa.

 

Desafie também os seus filhos para prepararem uma exibição para a noite de Natal com cantigas, teatro ou dança. Além de os manter distraídos e ocupados enquanto prepara as coisas, esta é também uma maneira de deliciar os seus familiares. Os avós, esses, vão ficar ainda mais embevecidos com os netos!

 

Se está a planear uma surpresa para o seu filho, esconda o embrulho num lugar que sabe que ele nunca irá descobrir. Não o deixe à vista, num sítio alto, pois a criança poderá subir a uma cadeira para lhe mexer e pode cair. Controle também se os presentes que estão de baixo da árvore ainda não foram descobertos pelos mais pequenos.

http://crescer.sapo.pt/saberviver/crianca/natal-em-grande-para-os-mais-pequenos/2

publicado por salinhadossonhos às 07:44
Sexta-feira, 26 / 07 / 13

É bom estarmos juntos!

No final de um ano partilhado, fomos construindo, crianças e adultos, a nossa vida e a nossa cumplicidade. Foi um tempo de intimidade, tempo de crescimento, de aprender, brincar e amar.
Dizem filósofos e cientistas que a experiência da pertença e da confiança é vital na vida. Tecemo-la junto dos que são mais nossos. Efectivamente, somos uns com os outros, maturamos em conjunto, sobretudo na rede afectiva com aqueles que mais amamos.
Este ano, também quisemos incentivar o tempo no qual as crianças se foram abrindo à vida para além dos pais, ou seja à descoberta de um mundo maior. Nesse sentido foram-lhes proporcionadas as mais diversas experiências: realizar a sementeira das batatas, participar no Desfile “Braga Romana”, visitar o “Portugal dos Pequenitos”, diversão nos carroceis de S.João, experiência de equitação na “Quinta da Clarinha” e contacto com vários animais domésticos, semana de praia na Apúlia. Este caminho é fundamental, pois trata-se do seu percurso de autonomia, de abertura ao risco e ao gozo de viver. Enfrentando novos desafios, as crianças descobrem também novas competências, e daí novos sentidos para a sua vida.
É importante dar espaço aos nossos filhos para que vão ampliando as suas redes afectivas, que devem ultrapassar o núcleo familiar e alargar-se a uma comunidade maior, de amigos, de escola, de outras famílias. A cumplicidade com a humanidade é um valor que vale a pena ensinar às crianças.

publicado por salinhadossonhos às 18:41
Terça-feira, 26 / 03 / 13

Palavras mágicas

Palavras mágicas

 

“As palavras são películas superficiais sobre águas profundas”, disse em tempos o filósofo Wittgenstein. E Gianni Rodari pegou nesta ideia, criando a teoria de que toda a palavra deve ser como uma pedra que afunda num pântano, gerando ondas na superfície e afundando em águas cada vez mais profundas, perturbando a paz ou o sono dos objetos que por ali se encontravam, e que agora se veem obrigados a reagir e a relacionar-se. “Uma palavra escolhida ao acaso e lançada à mente produz ondas de superfície e de profundidade, provoca uma série de reações em cadeia, agitando na sua queda sons e imagens, analogias e recordações, significados e sonhos, num movimento que toca a experiência e a memória, a fantasia e o inconsciente”, refere o autor sobre a metáfora utilizada, pretendendo demonstrar que toda a palavra gera influências e vai relacionar-se com outras palavras. Uma palavra lançada ao acaso funciona como uma palavra mágica, “para escavar campos da memória que descansavam sob a poeira do tempo”. Peguemos no exemplo de Rodari, a palavra “pedra”. Numa associação mais preguiçosa, podemos relacioná-la com palavras que comecem por “p” mas não continuem com “e”, como “pai”, “panela”, “panela”; ou com palavras que começam por “pe”, como “pera”, “peso”, “pêssego”; ou com palavras que rimem com ela (“medra”, “perda”, “lerda”); ou ainda com palavras que lhe são sinónimos (“calhau”, “seixo”, “cascalho”). E a palavra continua o seu caminho, lembrando-nos daquela vez em que tropeçámos numa pedra e nos estatelámos no chão em plena rua. Ou então podemos colocar as letras umas sobre as outras e escrever a primeira palavra que vier à cabeça sobre cada uma (“pacote”, “elefante”, “dado”, relógio”, “atleta”). Ou, mais divertido ainda, escrever palavras que formem uma frase com sentido, como no exemplo que pode ver na caixa ao lado.

 

Nenhuma destas hipóteses esgota todas as possibilidades da palavra lançada ao acaso, mas já servem para perceber a ideia do tema fantástico e levá-la a cabo, deixando que as palavras mágicas gerem histórias.

 

 

 

Estranhar para entranhar

 

Embora a palavra mágica sirva de primeira inspiração para uma história, a verdade é que não basta um polo elétrico para provocar uma faísca, são preciso dois. Henry Wallon escreveu no seu livro A Origem do Pensamento nas Crianças que ele – o pensamento – nasce em dupla; a ideia de “mole” não nasce antes nem depois da ideia de “duro”, mas em simultâneo, num encontro produtivo. “O elemento fundamental do pensamento”, disse, “é essa estrutura binária, e não apenas os elementos que a compõem. A dupla, os pares, são anteriores ao elemento isolado”. Mas, para a criação de uma história, nem todas as duplas de palavras servem de igual modo: a palavra só age quando encontra outra que a provoca, que a obriga a sair dos carris do hábito e a redescobrir-se em novos significados. Se pegarmos em dois termos que, gramática e ideologicamente, se ajustem um ao outro, como, por exemplo, “avião” e “céu”, a possibilidade deles geraram uma nova ideia, e, consequentemente, uma história interessante, é mais remota do que se escolhermos termos que “lutem” um com o outro, que não se conjuguem. “Avião” e “gaveta das meias”. Um avião que vive na gaveta das meias é muito mais interessante do que um avião que voa pelo céu. Podemos imaginá-lo a sobrevoar diariamente o monte de meias, fazendo a contagem, para ver se nenhum par ficou perdido na máquina de lavar. Ou a pulverizar as meias com um spray desodorizante, para estarem bem cheirosas quando forem calçadas. Esta luta entre dois termos aparentemente inconjugáveis forma o binómio fantástico, trazendo novos sentidos às palavras e novas ideias à imaginação do narrador que tenta conjugá-las. E é isso que temos que fazer para inventar uma história seguindo esta técnica: libertar os termos, para que a imaginação os use como ferramentas, em vez de se prender a eles como correntes. Este uso de dois termos estranhos que temos que conjugar entre si, ajuda a criar a fricção necessária para o desenvolvimento da fantasia, e, logo, da história. Por isso é bom que o binómio fantástico seja escolhido ao acaso. As palavras podem ser ditas por duas pessoas, às escondidas uma da outra, ou escolhidas num livro por um dedo que não sabe ler. Só assim serão suficientemente estranhas e distantes uma da outra para que a imaginação se veja obrigada a criar um parentesco entre elas e uma história onde possam conviver.

 

 

 

O que aconteceria se…

 

Pegando no binómio fantástico, podemos fazer a ideia evoluir para uma frase, ou melhor, uma pergunta, dando origem a uma hipótese fantástica. Aqui, convém que o binómio fantástico, escolhido ao acaso, seja um sujeito e um predicado, ou um sujeito e um atributo. Por exemplo, “rinoceronte” e “pintar”: o que aconteceria se um rinoceronte aprendesse a pintar? Provavelmente pintava-se de cores alegres e as pessoas achavam que ele era um unicórnio com excesso de peso e inscreviam-no num ginásio onde ele passava o tempo todo na piscina, muito feliz da vida.

 

Todos conhecemos um exemplo famoso do que pode ser uma hipótese fantástica: o que aconteceria se um homem acordasse transformado em barata? Como sabemos, Kafka usou-a com muito sucesso no seu livro Metamorfose.

 

Mas as hipóteses são muitas, provocando situações dentro das quais os acontecimentos narrativos se multiplicam espontaneamente ao infinito. O que aconteceria se o elevador subisse até ao céu? O que aconteceria se a girafa perdesse os brincos? O que aconteceria se o garfo corresse pelas escadas abaixo? Podemos imaginar as reações das mais diversas pessoas a acontecimentos tão insólitos, os incidentes a que dão lugar, as discussões que provocam. Podemos escolher um protagonista e fazer girar a aventura à sua volta. Podemos manter a ação no reino do nonsense ou estabelecer uma relação com a realidade. Podemos fazer o que quisermos, a história é nossa!

 

http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-3-aos-5-anos/5723-como-inventar-uma-historia?start=1

publicado por salinhadossonhos às 12:08
Terça-feira, 12 / 03 / 13

Como inventar uma história?

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Para a criança todas as coisas são possíveis. Os pássaros falam, os sapos transformam-se em príncipes, elegantes e frágeis cavalheiros são capazes de derrotar gigantes, os pinheiros têm sentimentos e ambições. Da mesma forma, a cadeira da cozinha rapidamente se transforma num cavalo, a cómoda num comboio com as gavetas como vagões, a carpete num campo de batalha, o jornal numa coroa de ouro puro. E é nesta realidade que temos de nos basear quando inventamos histórias com elas ou para lhes contar. O primeiro passo é que o façamos com sinceridade e seriedade. Com isto não se pretende eliminar o humor ou a diversão das histórias, mas apenas alertar para o facto de que a criança, para ouvir a mensagem, precisa que o adulto partilhe o seu interesse, pelo que, naquele momento em que contamos o conto, temos que aceitar de forma honesta as fadas, os heróis, os animais que falam… A criança merece uma igualdade de pontos de vista, sem a qual a história não tem sucesso. Ela gosta de fazer de conta, mas de uma forma prática e séria; isto é, mais do que a imaginação, é a credulidade que a ajuda a apreciar e interiorizar a história.

 

 

 

No princípio, era a fantasia

 

O escritor alemão Novalis dizia, nos seus célebres Fragmentos, que se tivéssemos uma Fantasia, assim como temos uma Lógica, estaria descoberta a arte de inventar. E a verdade é que temos uma fantasia. Pode não constar dos compêndios de ensino ou ter honras de domínio do saber, mas existe, e precisa apenas que não tenhamos medos, vergonhas ou pruridos em utilizá-la para se transformar numa poderosa ferramenta de criação. Isto é válido para muitas áreas da vida, mas o que nos interessa para o caso é como podemos pôr a fantasia ao nosso serviço na arte de contar histórias. Como pôr a imaginação e funcionar e criar enredos divertidos para contar às crianças, ou, melhor ainda, criar enredos divertidos juntamente com as crianças.

 

Existem várias técnicas que estimulam a imaginação de miúdos e graúdos, e, embora muitas pareçam ser do domínio popular, a verdade é que quase todas foram inventariadas por Gianni Rodari, um jornalista, escritor e poeta italiano, especializado em educação e literatura infantil.

 

A expressão artística de Rodari através da escrita esteve sempre ligada ao conceito de fantasia, de saber lidar com o irreal e o insólito, de forma a provocar uma reação ao senso comum. Muito influenciado pelo teórico russo Vladimir Propp – um académico estruturalista que analisou os componentes básicos do enredo dos contos populares, tentando encontrar os seus elementos narrativos mais simples e indivisíveis, e identificando 31 funções no corpo da narrativa cuja estrutura é comum a todos -, Gianni Rodari publicou, em 1974, um livro intitulado Gramática da Fantasia, onde propõe exercícios práticos para inventar histórias e inserir a imaginação na educação. Vários desses exercícios foram criados a partir das funções que Propp definiu como elaboradoras da fábula, e que Rodari assumiu como ferramentas para a construção de histórias, “tal como com as doze notas se podem compor infinitas melodias”. No seu livro, os exercícios propostos destinam-se tanto às crianças como aos pais, e mesmo aos professores, sendo que o italiano afirmava que, na educação, a imaginação deve ser considerada tão importante quanto a atenção e a memória.

 

 

 

Mentes criativas

 

Imaginação e fantasia podem ser sinónimos, se considerarmos que o termo “criatividade” é um significado comum entre elas. E, para Gianni Rodari, criatividade significava “pensamento divergente”, isto é, a capacidade de romper com os esquemas da experiência, com o senso comum. Para inventarmos histórias, temos que deixar um pouco de lado a noção atual de criatividade, que perdeu a sua força original, e resgatar o seu significado mais antigo, em que a mente criativa é uma mente que trabalha, que faz perguntas constantes, que descobre problemas onde os outros encontram respostas, que não se acomoda, que recusa o codificado, que não se deixa inibir pelo conformismo, que estranha o comum e o banal. Para Rodari, criar é, no fundo, um exercício de subversão, mas no qual a cultura é fundamental, uma vez que é preciso ler, ouvir, procurar, ser curioso. É preciso consumir para se poder criar, mas consumir com crítica, com capacidade interpretativa, e é aqui que a educação tem um papel fundamental. “Ler é importante”, é uma frase que ouvimos repetidamente, mas que parece vazia de conteúdo. Não o é, de todo. A educação, a curiosidade cultural e a criatividade são a trilogia preconizada por Rodari como a base para um desenvolvimento saudável do pensamento. E assim, transformando o leitor numa espécie de aprendiz de feiticeiro, Rodari apresenta uma série de técnicas e de exercícios para o desenvolvimento da imaginação e da criatividade, com propostas práticas e simples que resultam na produção de narrativas originais. Para contar às crianças ou sugerir que elas mesmas as inventem, desenvolvendo a linguagem, a lógica, o sentido estético, a memória, e, claro, o contato afetivo e a integração. Vamos a isso?

 

 http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-3-aos-5-anos/5723-como-inventar-uma-historia

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publicado por salinhadossonhos às 12:08
Terça-feira, 05 / 03 / 13

Medo do quê?

Medo do quê?

 

Os medos infantis assumem formas diferentes, consoante as etapas de crescimento. Mas crescem e desaparecem com a idade

 

 

0-6 meses ¬ Ruídos fortes, sensações de perda de amparo ou desequilíbrio.

 

 

7-12 meses - Pessoas estranhas e situações imprevistas.

 

1 ano - Pessoas que não conhecem, ficar longe dos pais

 

 

2 anos - Ruídos fortes, estar longe dos pais, mudanças do meio envolvente.

 

 

3-4 anos - Máscaras, quartos escuros, animais, separarem-se dos pais.

 

 

5 anos – Ruídos, afastamento dos pais, feridas (medo de se magoarem), ambientes escuros, animais e pessoas más.

 

 

6 anos - Monstros e seres sobrenaturais. Dormirem ou ficarem sozinhos.

 

 

7-8 anos - Ficarem sozinhos, fantasmas, notícias que ouvem nos Media. Parecerem ridículos perante outros em determinadas situações.

 

 

9-12 anos – As transformações no seu corpo, a morte e os ferimentos corporais. Os exames escolares, as trovoadas, os relâmpagos, os tremores de terra e outras catástrofes naturais.

 

 

 

Fonte: Joana Sarmento Moreira, psicopedagoga

 

 

 

 

 

O medo de ter medo

 

Janelas, muros, grades e escadas. Os obstáculos eram reais, estavam por toda a parte, cresciam aos olhos da Margarida. Chegaram os 6 anos, a entrada na escola. Os inimigos mantinham-se. Destinaram-lhe uma sala de aula no primeiro andar. Margarida (nome fictício) chegava ao colo dos pais ao cimo das escadas e só em piso firme colocava os pés no chão. «Era um caso muito curioso. Não havia uma razão aparente. A mãe não conseguia explicar o medo das alturas da filha. Desde os 3 anos que era assim, começava a tremer e ficava pálida sempre que se deparava com um degrau, uma elevação», conta Rosália Ferreira, professora do primeiro ciclo do ensino básico. A situação, recorda anos mais tarde, foi um desafio para todos. «Foi feito um trabalho muito giro, que envolveu também os pais, com a ajuda de um psicólogo e um professor de educação física». O medo da Margarida foi contado aos outros colegas. A menina aproveitava o intervalo para fazer exercícios com um banco sueco. Recebia palmas a cada pequena vitória. E, a pouco e pouco, foi perdendo o medo. «A fobia é o medo por antecipação. É o medo de ter medo. E afecta crianças e adultos», garante o psicólogo Eduardo Sá. Os sinais de uma fobia são sobretudo físicos. «As crianças dizem que as pernas tremem, que sentem o coração a bater muito, queixam-se de falta de ar», descreve Rosália Ferreira. Margarida terá sido um caso excepcional na sua carreira de docência, mas não o único. «Numa outra escola, tivemos também um miúdo com fobia de animais. O medo era muito real. Ele até dizia que sentia uma pressão no peito», diz. «Quando há uma fobia, a criança evita o confronto com o estímulo desse medo grave. Não consegue enfrentá-lo. Sente dores de barriga, as mãos a suar - aquilo a que os especialistas chamam ‘sintomatização’. Ela não está a mentir. É um medo patológico, paralisante», confirma Joana Sarmento Moreira. As fobias condicionam o comportamento das crianças e, muitas vezes, os pais não conseguem lidar com a situação sozinhos. Quando se veem confrontados com um medo impróprio para a idade, sério e persistente no tempo, é importante que peçam ajuda. Há medos que passam com a idade e não há uma relação directa entre a fobia de um adulto e os receios que sentiu em criança. «Mas um medo mal resolvido pode tornar-se uma fobia grave», alerta a especialista.

 

 

 

 

 

 

A química do medo

 

 

 

O corpo humano reage de imediato ao perigo, ainda que imaginário.

 

 

 

Cérebro - Nas têmporas, as amígdalas cerebrais comunicam a ameaça ao hipotálamo, que controla todo o metabolismo. Numa fracção de segundo, a produção de adrenalina, noradrenalina e acetilcolina intensifica-se. Várias partes do corpo reagem a essa alteração hormonal.

 

 

 

Olhos - As pupilas dilatam. Isso diminui a capacidade de reparar nos detalhes do cenário envolvente, mas aumenta o poder de visão global. Em tempos ancestrais, o recurso à alteração da pupila permitia que o Homem, no escuro das cavernas, identificasse um predador e quase em simultâneo as possíveis rotas de fuga.

 

 

 

Coração e pulmões - O aumento do nível de adrenalina acelera os batimentos cardíacos. Há uma maior irrigação sanguínea e isso faz com que o cérebro e os músculos trabalhem mais intensamente. O medo deixa a pessoa alerta e torna-a mais ágil.

 

 

 

Estômago - O aumento da produção de acetilcolina provoca dores abdominais. Os sucos gástricos são libertados em maior quantidade para acelerar a digestão e transformar rapidamente os alimentos em energia útil na resposta ao perigo

 

 

 

Fonte: Frederico Graeff, Universidade de São Paulo (revista Veja)

 

http://www.paisefilhos.pt/index.php/criancas/dos-3-aos-5-anos/5964-mae-tenho-medo?start=2

publicado por salinhadossonhos às 12:06
Terça-feira, 26 / 02 / 13

Quando os pais também têm medo

 

Quando os pais também têm medo

 

As crianças são sensíveis aos medos dos adultos. «Elas regem-se pelos olhos dos mais velhos. Percebem os mínimos espasmos musculares que o medo provoca. Sabem quando os pais estão muito assustados, mas a fingir que não se passa nada», diz o psicólogo Eduardo Sá. A melhor maneira de lidar com isso, defende, «é não fazer de conta». Para o especialista, é mais reconfortante dizer-lhes «eu também tenho medo, talvez os dois juntos consigamos resolver isto».

 

Joana Sarmento Moreira concorda. Não é adepta do jogo do esconde-esconde e considera haver situações de medo positivas. «Se não for um medo paralisante, pode até ser engraçado. Quando a mãe ou o pai têm dificuldades, por exemplo, em se aproximar de animais, podem partilhar isso e tentar progressos juntos ou pedir ajuda a uma terceira pessoa», diz.

 

 

 

O primeiro dia de escola

 

As hesitações dos mais pequenos requerem paciência e tolerância da parte dos adultos. Mas isso não significa ceder a todos os pedidos. «Os pais têm de ser firmes nas suas decisões», explica Joana Sarmento Moreira, a propósito de um medo comum: o dos primeiros dias de escola. A adaptação não deve ser brusca ou forçada, mas a criança não pode voltar para casa porque não quer ficar.

 

«Às vezes, há um vínculo ainda forte com a mãe. E o que está em causa é a chamada ‘ansiedade de separação’», explica a psicopedagoga. «Ela própria está muito nervosa. Nesses casos, a presença do pai ou de uma avó com quem o miúdo passe menos tempo facilita o momento da despedida.» Joana já experimentou esta estratégia e soma algumas vitórias. «Passados os primeiros dias, a mãe pode vir deixar o filho outra vez. Já será mais fácil», garante.

 

Nos primeiros anos de escola, o medo físico de animais ou de fogos cruzam-se com o medo de realidades vistas nos noticiários e convivem naturalmente com o temor de máscaras ou de palhaços. Só um medo é contagioso, por ser maior que todos os outros: o da separação dos pais. «Aparece quando tomam contacto com outras crianças, filhas de pais divorciados», diz Joana Sarmento Moreira. Todos sentem, mas sofrem sobretudo os visados. «Eles acham que os pais se separam por não gostarem deles. Fazem muitos corações nos trabalhos. Colocam-se duas vezes no desenho da família: de um lado com o pai, do outro com a mãe. Precisam de ser muito acarinhados», diz Rosália Ferreira, professora do primeiro ciclo do ensino básico na escola dos Cavalinhos, Maceira.

 

 

 

As motivações

 

Explicar a uma criança por que tem medo, desmistificar o estímulo que a perturba pode ajudar os pais a afastar os medos mais comuns. Os fantasmas não estão debaixo da cama. O escuro desaparece quando se acende a luz. O cão não morde quando se lhe dá a mão para cheirar. Joana Sarmento Moreira tem um exemplo em casa: «A minha filha de 20 meses assusta-se com sons fortes e tinha muito medo dos aviões. Expliquei-lhe de onde vinha o barulho e agora procuro com ela descobrir no céu de onde vem o avião. Já não fica assustada», conta.

 

Muitos dos medos das crianças provêm de sentimentos quase inconscientes. «Os miúdos não procuram explicações científicas. Quando se tenta racionalizar demasiado o medo, o melhor que se consegue é fixar um medo que seria transitório. Os medos das crianças são muito metafóricos. Do que elas precisam é de saber que o pai e a mãe estão ali para as proteger», afirma Eduardo Sá. Na maioria dos casos, um simples aconchego é mais eficaz do que uma explicação demorada, defende. «Chega-te para aqui que eu não deixo que nada de mal te aconteça». E o medo desaparece.

 

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