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Terça-feira, 20 / 01 / 15

A depressão das crianças

Escrito por Eduardo Sá Sexta, 14 Novembro 2014

Querem, então, filhos capazes de estar tristes e menos deprimidos? Leia a crónica do psicólogo Eduardo Sá.

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É verdade que as dificuldades apuram, muitas vezes, o engenho. Não tanto porque o sofrimento que elas não deixam de trazer seja recomendável mas, antes, porque quando a dor não é nem excessivamente aguda nem extensa em demasia acaba por mobilizar os recursos saudáveis que temos ao nosso dispor. É claro que nunca há males que vêm por bem! E é verdade que uma formulação como essa tem qualquer coisa de triunfal que acaba por ser um bocadinho batoteira. Em primeiro lugar, porque a sabedoria nos ajuda a compreender, por antecipação, os perigos que nos ameaçam, levando a que os evitemos. E, em segundo lugar, porque sempre que agradecemos as dores menos os aproveitamos com a humildade de quem vê nelas uma oportunidade para aprender. Seja como for, também para muitos pais, os males do seu crescimento nunca terão vindo por bem. Mas sem eles, muito provavelmente, nunca teriam reunido as competências com que a “escola da vida” lhes deu garra e perseverança, e os terá ajudado a ser acutilantes e afoitos para se tornarem mais guerreiros, mais aventureiros e vencedores.

Se é verdade que a vida nunca é cor de rosa para ninguém é de esperar que, apesar disso, todos os pais queiram poupar aos filhos as experiências mais cinzentas do seu crescimento, por mais que elas possam ter dado um empurrãozinho fundamental para que eles sejam, hoje, como são. Mas, sendo assim, o grande desafio de todos os pais passa por não deixarem de dar colo, por não deixarem de proteger os filhos (nomeadamente, protegê-los das dores mais preponderantes da sua própria infância) e, ao mesmo tempo, por lhes criarem as condições para que eles desenvolvam competências para o insucesso sem as quais talvez não se conquiste nem a autonomia nem a robustez que os tornem fortes e audazes. Por outras palavras: como se pode conquistar aquilo que algumas dores trarão sem que se tenha de sofrer com elas? Será esta, provavelmente, a quadratura do círculo que torna a educação dum filho desafiante e complexa. E a pergunta que fica será: como é que isso se faz? Com regras claras, com um permanente incentivo à autonomia e com uma relação mais verdadeira com os insucessos, por exemplo.

Esta ideia tão protetora que os pais acabam por ter em relação ao crescimento das crianças é compreensível. E ajuda-nos a perceber que, se as protegem quase demais, talvez eles tenham tido muito mais experiências infantis de sofrimento do que as suas dores declaradas levariam a supor (e que não terão sido, todas elas, compostas por acontecimentos com um formato XXL de dor, mas que talvez tivessem a ver com incidentes, mal-entendidos, falhas e omissões dos seus pais que eles próprios não terão valorizado). Mas onde nos leva este ideal tão anti-depressivo de crescimento? Será razoável para o crescimento duma criança? E, por mais que a aspiração dos pais nos toque a todos, pode uma criança crescer à margem dos riscos ou das dores? E será que quanto mais as protegemos da dor mais as tornamos felizes? Receio que não. Voltemos à “fórmula” anterior: a mim parece-me que quanto mais somos omissos nas regras (e esquecemos que os pais bonzinhos são pais suficientemente maus), quanto mais condescendemos com a falta de autonomia das crianças (a que os pais chamam preguiça, como se fosse ela um “defeito de fabrico”), e quanto mais pomos “pó de arroz” nos seus erros e nas suas falhas (como se qualquer dor mais parecesse um traumatismo) mais acabamos a criar condições para que as crianças se deprimam. Porquê? Porque apesar de lhes darmos recursos fantásticos para o seu crescimento, talvez as poupemos às oportunidades de, com pequenas dores, elas os lapidarem e desenvolverem. Chegamos, assim, a um dilema: por falta de “dores do crescimento”, talvez não deixemos de lhes criar uma “imunodeficiência adquirida” à dor. E − sim! − em vez de as tornarmos robustas, ajudamos, mais do que seria o nosso desejo, para que se tornem frágeis. Mas − que isso fique claro − isso deve-se mais à ideia de que os bons pais nuÉ verdade que as crianças


Mas será que a fragilidade das crianças é uma fatalidade, como se elas estivessem condenadas a estar tristes? Claro que não! E é aqui que nos devemos centrar: por mais que erremos, muitas vezes, como pais, as crianças só parecem... crianças, em relação a tudo aquilo que se passa nas suas vidas, não tanto porque vivam distraídas mas, antes, porque os recursos saudáveis que os pais lhes vão fornecendo as torna autênticos “todo-o-terreno”. Não digo que sejam invulneráveis ao sofrimento. Mas que, apesar das nossas falhas, elas não se partem. Mais: os erros dos pais são, até, o sal do crescimento das crianças.

Mas, se é assim, porque é que se fala, como nunca se falou, da depressão das crianças? É verdade que todos os anos se registam muitos milhares de novos casos psiquiátricos de depressão nas crianças? E que isso se deva ou ao número de divórcios, ou à falta de famílias alargadas ou ao consumo de videojogos, como há quem afirme? Tentamos ir, de novo, pela sensatez. Não é verdade que hoje as crianças se deprimam mais! O que se passa é que a abordagem psiquiátrica do sofrimento das crianças, isso sim, tem ganho a preponderância que, felizmente, noutros tempos não existia. E, com mais rigor, que a medicalizacao psiquiátrica das crianças tem manifestado saltos exuberantes que parecem não merecer ponderação e que a hospitalização psiquiátrica de crianças começa a merecer uma aragem cada vez mais assustadora. Como se, hoje, o sofrimento das crianças existisse como uma realidade surpreendente e enigmática (quase ao nível duma epidemia atípica), sem que se meçam as consequências que a dor depressiva foi tendo em todas nas gerações dos seus avós e dos seus pais, por exemplo, e que fez com que muito deles a expressassem por perturbações de comportamento gravíssimas e por inibições cognitivas terríveis (o que levou, por exemplo, ao longo dos anos, a presumir-me que havia crianças inteligentes e crianças burras, sem nunca se perguntar em que medida as dores que elas iam enquistando não terão representado uma verdadeira “força de bloqueio” para as competências afetivas e cognitivas que não deixavam de ter).

Por outras palavras: é verdade que há muitas crianças que se deprimem; é verdade que os pais são, hoje, mais competentes como pais do que as suas próprias famílias terão sido (e, por isso, há menos crianças a deprimir, e menos haveria se os pais tivessem menos medo de ser pais e mais escutassem quem os ajude a sê-lo); é verdade que os pais são os verdadeiros anti-depressivos dos filhos (mas não deixa de ser verdade que as famílias mais alargadas de antigamente, por mais que fossem preciosas, não resolviam a dor depressiva da omissão e dos maus tratos de muitos pais, muito mais graves do que aqueles que observamos hoje); e é verdade que as crianças se estragariam menos se trabalhassem menos e vivessem com menos stresse e com menos compromissos (e que, até nisso, os pais podem dar uma ajudinha preciosa). Mas, apesar disso, deixem-nas em paz! E lembrem a quem fala da depressão como um perigo que se cura com gotinhas que a tristeza é um formidável anti-depressivo. Não a tristeza crónica, claro. Mas aquela que todas as pessoas de coração grande, de sangue quente e de sensibilidade à flor da pele não deixam de ter. A tristeza que precisa de ser falada, e a que precisa do corpo, em silêncio, de quem gosta de nós, bem perto do nosso (por dez minutos, que seja). A tristeza que resulta de tantas pequenas-coisas dum dia-não que, quando se vai para a descrever, dá um jeito precioso que haja quem nos sinta em si e que fale por nós.

Querem, então, filhos capazes de estar tristes e menos deprimidos? Deixem, por favor, de ser pais assustadiços. Façam deles filhos únicos, por meia hora, todos os dias. Nunca comecem todas as conversas, em que vão à procura de os conhecer melhor, com um novo “como foi a escola?”! Deixem-nas brincar, deixem-nas correr, deixem-nas sujar-se, deixem-nas falar e deixem-nas fantasiar! Obriguem-nas a ser crianças em vez de as quererem como jovens tecnocratas de sucesso. Deixem-nas errar e zanguem-se sempre que elas façam de “certinhas”. Lembrem-se do jeito que teria dado terem tido pais a lembrarem-se da sua própria infância quando falam com os filhos. Sintam-nos, primeiro; e imaginem-nos, depois. E arrisquem (arrisquem!) nos palpites que tenham acerca do que se passa com as crianças quando se trata de falar. Mas falem, por favor! E, já agora, nunca se esqueçam: se há aspetos preocupantes na vida das crianças o maior de todos será o lado medricas (e depressivo, até) de muitos pais.

http://www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/eduardo-sa/7519-a-depressao-das-criancas

publicado por salinhadossonhos às 17:36
Terça-feira, 13 / 01 / 15

10 receitas para cozinhar os medos das crianças

Escrito por Eduardo Sá Quarta, 01 Outubro 2014 

Os medos são naturais como a sede e fazem bem à saúde de todas as crianças. Na verdade, elas fazem, unicamente, de “João sem medo” não porque sejam destemidas mais ou menos “de origem” mas quando o pais têm uma fórmula especial para lidar com eles. E é aqui que, geralmente, tudo se complica.

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Os medos são naturais como a sede e fazem bem à saúde de todas as crianças. Na verdade, elas fazem, unicamente, de “João sem medo” não porque sejam destemidas mais ou menos “de origem” mas quando o pais têm uma fórmula especial para lidar com eles. E é aqui que, geralmente, tudo se complica.

Em primeiro lugar, há pais que têm um bocadinho de medo... dos medos das crianças. Que ficam com um “nervoso miudinho” quando elas têm medo e, por mais que não o digam, e falam dos medos como se fossem uma conta de subtrair e deixam entender que os medos mais parecem puzzles de onde sobram – sempre! – algumas peças. Ora, é importante não perdermos de vista que não há como não termos medo. Não quero dizer que os medos sejam tão fatais como o destino parece ser para algumas pessoas. Mas, no fundo, os medos são um excelente “indicador de parqueamento” com que todos nascemos equipados e representam um software que faz atualizações espontâneas quase todos os dias. Para além, é claro, de “apitarem”, dentro de nós, antes de nos aproximarmos de um obstáculo que, noutras circunstâncias, acabou por nos magoar (mesmo que, à primeira vista, pareçam medos... parvos).


Em segundo lugar, é bom nunca perdermos de vista que, por mais estranhos que pareçam, não há medos parvos nas crianças. Por mais que elas falem dos medos duma forma um bocadinho metafórica. Isto é, se o medo da professora não deixa grandes dúvidas, por exemplo (talvez porque venha acompanhado de pesadelos, de birras e de um ou outro vómito, de manhã), o medo do escuro (talvez o mais popular entre todos os medos, antes mesmo do medo dos monstros) já é mais difuso, o que deixa os pais, ao contrário do que deviam, com o receio desmedido de representar uma febre teimosa que resiste aos mais fofos dos mimos.


Em terceiro lugar, é bom que, tirando os medos que fazem parte do equipamento de todas as crianças – os bebés não precisam de andar aos abraços a serpentes ou a animais de grande porte, por exemplo, porque têm um código genético que lhes desaconselha esses desvarios – os medos são aprendidos. E, regra geral, os pais são os melhores professores do mundo para os medos das crianças. Sempre que elas se deparam com o que é novo e estranho, olham, em milésimos de segundo, para o olhar de um dos pais para que, no caso dos olhos deles revelarem preocupação ou medo, por exemplo, se orientarem fazendo suas as reações que esse “semáforo”  fabuloso lhes traz, a todo o momento. Os medos não se pegam, portanto, mas transmitem-se, em suaves prestações, mesmo que os pais imaginem nunca ter falado deles, seja em que circunstância for. Não falarem dos seus medos não significa que as crianças não os identifiquem, minuciosamente, uma vez que, como todos sabemos, elas “tiram as medidas” aos pais até ao mais fundo das suas “almas”.
Em quarto lugar, devia ser proibido dizer a um filho “não tenhas medo!”, até porque isso se presta a más interpretações. Se, nalgumas vezes, serve para dizer, de forma bondosa, “eu estou aqui; logo, não deixo que te aconteça nada!”, em muitas circunstâncias, serve, também, para trazer a maior das confusões. Porque, ao mesmo tempo que, um dos pais, diz a uma criança “não tenhas medo” o seu olhar transmite medo daquilo com que ela se assusta e medo de não ser capaz de gerir o medo que parece estar a tomar conta dela. Ou seja, se é para dizer “eu estou aqui”, mais vale não deixar espaço para grandes confusões. 


Em quinto lugar, ao contrário do que pode parecer, o medo é uma questão de sabedoria. Depois de nos magoarmos muito com qualquer coisa passamos a tentar evitar tudo o que seja mais ou menos semelhante àquilo que nos magoou. E isso é bom, desde que não evitemos demais. Aliás, se evitar um medo pode ser protetor, evitá-lo demais prende-nos a ele. E é neste “quanto baste” que os pais são preciosos como polícias dos medos. Mesmo que, ao contrário do que dizem aos filhos, os pais, sempre que ficam mais velhos, tornam-se mais... medricas. Tirando o medo da morte – que é uma espécie de “mãe de todos os medos” – à medida que corremos alguns riscos, uns mais pequenos que outros, trazemos prudência ao lado voluntarioso com que crescemos. Aliás, basta olharmos – com os olhos de quem foi aprendendo com o medo – para os perigos ou para os riscos que os nossos pais nos deixaram correr para ficarmos com o devaneio de sermos muito menos competentes do que eles. Na verdade, nunca ninguém nasce bem curado do umbigo, como dantes se dizia, dando a entender que a ousadia ou o lado mais afoito de algumas crianças seria uma espécie de “competência de fabrico”. O que se passa é que os pais, à medida que fazem de anjos da guarda mais protegem os filhos e, portanto, mais os ajudam a ser corajosos, audazes e, até, desafiantes. Por outras palavras, as crianças tornam-se destemidas sempre que os pais fazem de para-raios para os medos. E isso é bom. Por mais que a dificuldade dos pais passe por nunca as protegerem demais. Crianças protegidas demais não arriscam e, se não o fizerem, não se tornam destemidas: passam (antes) a ter medo do medo. E isso é mau.

Em sexto lugar, os medos são sempre irracionais. Isto é: a fórmula “explica à mãe porque é que tens medo” funciona tão bem como “contar carneiros”para adormecer. Por outras palavras, racionalizarmos o medo é a melhor forma de ficarmos presos a ele. Porque há sempre um bocadinho de medo que é uma metáfora (uma imagem, se preferirem). Explicar a uma criança que não há monstros debaixo da cama, por exemplo, nunca lhes resolve um problema. Porque, bem feitas as contas, ela desconfia que isso não aconteça. Mas, nunca fiando: se os monstros aparecem nas histórias fantásticas, nos desenhos animados e etc., se têm formas horríveis e vozes cavernosas que assustam, até, os mais corajosos, quem lhes garante que eles não andam por aí?... Mas, sobretudo, quem lhes garante que, chegada a hora da verdade, os pais não irão vacilar diante dum monstro e se, da mesma forma são excessivamente bem comportados diante da Brigada da Trânsito ou perante um acesso de mau-humor dos avós, não viram meninos pequeninos – muito ao jeito de “se não fosse por nada, eu dizia-lhe duas coisas” – e ficam num “vai tu; não, vai tu” que deixa qualquer filho de nervos em franja? Por outras palavras, as crianças não querem saber se os monstros existem. Há muito tempo que elas desconfiam que sim. O que elas precisam mesmo de estar certas é que os pais, sejam os monstros quem forem, fazem de super-heróis e lhes dão os corretivos indispensáveis. Ora, quando se chega a um patamar do género: “explica à mãe porque é que tens medo...” a legenda, em português de criança, é: “eu já percebi que tens medo e, feitas as contas, sou levada a imaginar que não sabes, exactamente, de quê; mas, se isso te deixa sossegado, eu também... não” não dá descanso a ninguém... Por outras palavras: os medos não se resolvem com explicações (“já viste que as janelas estão fechadas”, por exemplo, não é grande explicação porque, monstro que é monstro, atravessa as paredes). Ao falarem de monstros, as crianças estão a dizer aos pais: “Mas isso de me protegeres sempre, seja do que for, e nunca me deixares morrer, é mesmo verdade?...” Ora, se os pais, por mais que as crianças alarguem a baliza, o melhor que conseguem é acertar na trave, convenhamos que não só as levam a ter o medo que já tinham acrescido, agora, do medo dos pais não estarem à altura dum “super-polícia”. O que lhe estou a propor é que se não percebe o medo do seu filho, não invente! Diga-lhe a verdade: “A mãe não consegue entender muito bem o teu medo mas, duma coisa podes estar certo: seja o que for que te fizer mal, a mãe pega-lhe pelos colarinhos, abana-o como deve ser, abre a porta de casa, dá-lhe um pontapé pelas escadas abaixo que, seja lá o que for que te faça mal, vai pensar duas vezes antes de voltar cá a casa!”. Mesmo que seja a minha professora (pensará uma criança)? Mas, não se incomode: as perguntas inconvenientes são uma edição limitada dos filhos das suas amigas... Fácil, portanto...

Em sétimo lugar, há momentos que entre o medo que uma criança tem seja do que for e o medo da mãe ou da pai eu prefiro que ela tenha mais 20 mg de medo da mãe ou do pai. Por outras palavras: sempre que temos medo há uma reação de raiva, dentro de nós, que é tão natural como a sede. Alguns pais dão murros na mesa e uma ou outra mãe partem uns pratos... Portanto, isto não é uma novidade do tamanho do mundo para os pais: a raiva, embora convenha que não se exagere, serve de ansiolítico e isso ajuda a vencer a inibição que todos os medos acabam por trazer, através da qual acabamos por ficar um bocadinho... mais burros. Mas se um medo é grande e, a seguir, temos uma mãe ou um pai a amplificá-lo, sem querer – de pergunta em pergunta ou com mais uma pitada de explicações que não descosem os medos – nunca mais é sábado. Até porque, quase como quem decreta pagamentos por conta em relação aos impostos, há crianças que, antes de experimentarem alguma coisa, dizem “não sou capaz” (que é uma forma de reconhecerem, por outras palavras, que têm medo, até, de tentar) o que deixa os pais entre os medos prováveis, os medos presumíveis e os medos antecipáveis (que, regra geral, os põem à beira da fúria). É por isso que a “fórmula” segura para os medos é: “Se, enquanto a mãe ou o pai estiverem aqui, te acontecer alguma coisa má, tens toda a razão para teres medo. Se nunca aconteceu...” Mas, vamos imaginar que uma criança insiste e insiste no medo. Há um momento em que, depois de a avisar as tais duas vezes que, desde sempre, lhe falo, se tiver que se zangar, faça o favor. São os tais 20 mg acrescidos de medo da reação do pai ou da mãe que dão um jeitão porque fazem com que o medo – que, até aí, parecia uma “força de bloqueio” – diminua a olhos vistos. Porque, logo a seguir a fazermos de maus, uma criança fica zangada com a observação dos pais e, por isso, lhes “tira as medidas” com um olhar do género “se não fosse por nada, limpava-te o pó...” para que, quando dá por isso, o medo tenha virado urso de peluche... Zangarmo-nos diante dum medo repetido é uma forma de não ficarmos nem assustados com aquilo que assusta uma criança nem com tremeliques diante dos “efeitos especiais” com que ela lida com ele.

Em oitavo lugar, nunca perca de vista que os piores dos medos de todas as crianças são os medos mais delicados. Os que se evitam, duma forma mais ou menos furtiva. Por exemplo, quando uma criança faz de conta que se esquece dum convite para uma festa dum amigo está a ser batoteira. Ela está, só, a dizer que tem tanto medo de não ser capaz de se sentir bem no meio da festa que tenta, de todas maneiras, evitar “socializar-se”. Aqui, volto a dizer-lhe, ir à festa é tão sério como nunca se esquecer das horas dum antibiótico! Mas, vamos imaginar, que o seu filho evita alguém da sua família e é, até, mal educado, sempre que está com essa pessoa. Não pressuponha logo, por favor, que alguma coisa próxima da pedofilia terá existido. Mas as crianças têm medo de quem tem um olhar deprimido ou mais ou menos zangado. Por mais que seja a avó ou um tio, por exemplo. Portanto, em vez de lhe ralhar, porque ela tem medo de todos os olhares que têm picos, ralhe com a sua mãe ou com o seu irmão... depois de lhes dar o colo que eles lhe mereçam.
Em nono lugar, nunca leve a sério aquela ideia que recomenda que quem tem medo... compra um cão. Fazer dum cão um terapeuta dos medos do seu filho é pôr nos ombros dele uma responsabilidade que fica bem é aos pais. Portanto, isto de deitar a mão a meia dúzia de slogans para resolver um medo está para a taquicardia como o “falar pela positiva”, de alguns políticos, para o saldo da economia... E, já agora, falando neles, lembre-se dos políticos que, depois de prometerem que nunca aumentam os impostos quando o seu filho, no meio dum braço de ferro que faça consigo, lhe diz, num tom de desafio: “Não tenho medo!”. Negar é afirmar duas vezes (tem descoberto isso na sua carteira, não é verdade?). E, por isso, sempre que uma criança diz “não tenho medo!” está a tentar perceber se o pai ou a mãe fazem de totós diante dessa publicidade enganosa quando, na verdade, o que ela quer dizer, é... “mostra que sabes mandar!”  

Finalmente, nunca perca de vista que desafiar um medo é próprio dos medricas. Daqueles que passam a vida a meter medo aos outros (ou, melhor, a meter os seus medos dentro dos outros). O seu filho não precisa de ser isso. Já os guerreiros – como aqueles que tem aí em casa – não são aqueles que não têm medo. Mas, antes, aqueles que, depois de os respeitarem, descobrem em quem se podem apoiar para os vencerem. Ora, esta é a deixa que todos os pais devem ter em consideração, todos os dias:  há lá coisa melhor que os pais podem ser do que guardadores dos medos dum filho?...

http://www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/eduardo-sa/7389-10-receitas-para-cozinhar-os-medos-das-criancas?start=1

 

publicado por salinhadossonhos às 17:34
Terça-feira, 25 / 11 / 14

“O mimo nunca estraga uma criança”

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O pediatra Mário Cordeiro escreveu mais livro dirigido aos pais. Desta vez, sobre “Educar com Amor”, porque, como explica, “amar é a palavra-chave” e “educar é o seu apêndice”. Em entrevista à Pais&filhos apela aos pais que sejam mais coerentes, mais frugais e que digam aos filhos que os amam, “sem cerimónias”.

 

 

 

Começa o livro com um exemplo bem conhecido de quase todos os pais: uma birra gigante no supermercado, no final de um dia de escola/trabalho, porque a Maria, de três anos, quer um pacote de bolachas e a mãe não quer comprar. A mãe deve comprar as bolachas à Maria ou não?

 

Isso é uma minudência no meio desse imbróglio. A mãe deve agir como entender, mas “curto e seco”, no sentido de comprar a birra ou as bolachas, mas não ficar num “entre cá e lá” que só confunde a criança e aumenta o stresse. Num momento ser possível e no outro não, acabará por bombardear a criança com mensagens contraditórias. A mãe, porventura, deveria ter poupado – à Maria e a ela própria – aquela cena, pensando numa melhor altura para ir às compras, que não um final de tarde de um cansativo dia.

 

 

 

Fala-se muito na necessidade de dizer “não” às crianças? Neste livro parece discordar dessa ideia…

 

Atenção que não partilho a ideia de alguns pediatras de que as crianças devem ser os reizinhos da casa e que o mundo deixa de girar porque suas excelências querem isto e aquilo. Defendo que se diga “não” e sublinho, várias vezes, que o “não”, quando adequado e justo, é a melhor forma de a criança aprender a viver com a frustração, e não ficarem umas pessoas egoístas, narcísicas e omnipotentes. Agora, entre o “não” sem explicações e que humilha e sacode, e o “não” em que se dão justificações, se ensina, se acarinha e se arranja uma alternativa e um plano B, C ou D, opto decididamente pelo segundo.

 

 

 

E os castigos são mesmo pedagógicos?

 

Claro que são. Tal como os prémios. Mas têm de ser adequados, justos, proporcionados, no tempo certo, e sempre, mas sempre mesmo, castigando o ato e o comportamento e nunca, mas mesmo nunca, a pessoa. A criança é querida, do sentido do verbo querer, e isso deve ser sublinhado naquela altura em que ela pensa que os pais vão deixar de gostar dela ou pensar que ela é feia ou má. Mas depois disto dito, o comportamento deve ser avaliado, dissecado e, se for caso, aplica-se a “justiça”, com penas, atenuantes e agravantes…

 

 

Um dos grandes medos dos pais é que os filhos não se sintam amados? Como é que podemos mostrar aos nossos filhos que os amamos?

 

Dizendo-lhes sem cerimónias, as vezes que considerarmos necessárias. Dizermos mas não para fazer um favor ou exibirmo-nos em frente de terceiras pessoas. Dizermos quando nos sai da alma. E mostrarmos, no quotidiano, que eles são uma prioridade. Não devem “comer-nos” a nossa vida, atabafar o nosso ser, cilindrar o nosso “eu”, mas têm de saber que os amamos. Amar – essa é a palavra-chave, e com ela vem o seu apêndice: Educar. Não há um sem o outro.

 

 

Quais são os maiores erros que os pais fazem que os impedem de educar os seus filhos com amor?

 

Quererem ser pais perfeitos, serem inseguros no seu amor, verem os filhos como cartões-de-visita ou sinais exteriores da sua grandiosidade, estilo “que grande mãe que eu sou por ter filhos tão bonitos”, quando isso ultrapassa o orgulho normal e natural que devemos ter em ter filhos. Outro aspeto é, dentro das nossas normais incoerências e inconsistências, inerentes ao ser humano, andarmos em zig-zag, ao sabor do vento, das modas, das redes sociais, e agirmos contra o que apregoamos: “Não acho bem que tenhas consolas, mas toma lá uma PS4, já que todos os teus amigos têm”. As crianças têm de ter a ideia de que estão em primeiro lugar para os pais – e estão! – mesmo que isso não signifique, pelo contrário, usurpar a vida dos pais, já que ambas as partes devem ter uma crescente autonomia interdependente.

 

 

 

A ideia de que o mimo demais ou o colo estraga as crianças já está mesmo fora de moda?

 

Nunca o mimo estraga uma criança – o que estraga é o desamor, o desamparo, a negligência, o desprezo, o não provimento das necessidades básicas e irredutíveis da criança. Há quem diga isso, mas é tão cientificamente errado como dizer que as vacinas fazem mal e que ter doenças é que é bom. Mas mimo é a expressão major do amor oblativo, ou seja, do que se dá “apenas porque sim”, e não de chantagens, negócios, estratégias de poder, etc.

 

 

No livro, tem um capítulo sobre as vantagens da agressividade. Pode explicar algumas?

 

Agressividade não é violência. Agressividade é a expressão do nosso polo hormonal adrenalínico (polo “pai”: ação, atividade, ousadia, crescer, arriscar). Se respeitar o outro, a agressividade é benéfica. Se entrar pelo desrespeito e pela violência, como “corta caminho” para se obter o que se deseja, então já estamos num patamar diferente, num quadro que deve ser censurado numa sociedade que se quer formada por cidadãos livres, responsáveis, humanistas e democratas.

 

 

 

As crianças de hoje brincam pouco na rua, a maior parte não sabe lançar o pião, nem nunca andou num carrinho de rolamentos. Acha que essas experiências fazem falta à infância?

 

Não sei se é a jogar ao pião ou com carrinhos de rolamentos – sou pouco nostálgico do passado em coisas assim. Sei que as crianças precisam de interação com o meio, as pessoas e os objetos usando os cinco sentidos e não apenas o visual com um bocadinho de áudio. Se é com piões ou se é jogando futebol… isso pouco importa. Mas favorecer a brincadeira em grupo, com contato e conflitos, aprender a dirimi-los, fruir a Natureza… aí sim.

 

 

 

Por outro lado, a maior parte das crianças adora e é expert em tecnologia. Como é que acha que deve ser a relação das crianças com as tecnologias?

 

Sempre houve tecnologias porque termos a oponência do polegar é a primeira das tecnologias! Quanto às novas – ecrãs nos seus vários matizes –, são boas desde que bem usadas, em qualidade e quantidade. Podemos ter 24 horas de zapping de luxo ou de lixo, mas uma coisa é certa: se estivermos 24 horas a ver tv não nos sobrará tempo para tudo o resto. A arte está em conseguir organizar a vida quotidiana de modo a poder fazer um bocadinho de tudo. É um desafio, mas se pararmos um bocadinho para pensar, veremos que temos muito mais graus de liberdade do que pensamos, desde que não nos deixemos levar por chavões e cultivemos uma vida frugal e simples, sem show-offs.

 

 

 

Existem tantas teorias e livros sobre todos os aspetos da educação de uma criança e até sobre a forma de amar um filho. Onde é que fica o instinto no meio de tanta informação?

 

O instinto é o que conta mais, mas a questão é saber se o instinto não tem de ter baias e limites, ele próprio. Será instintivo, eventualmente, dar bofetadas ou puxar as orelhas a uma criança que não faz o que os pais dizem ou que é malcriada… e contudo, este comportamento deve ser interdito. O instinto dá ao animal humano capacidade de fazer o melhor, mas também de exercer, sobretudo face a mais fracos, um poder que pode ter raias de perversidade e de vingança “pelos males do mundo”. E, como em tudo na vida, a Ciência – pediatria, psicologia, antropologia, sociologia, ética – pode ajudar os pais a balizar os seus comportamentos sem lhes dizer propriamente o que devem fazer, estilo “manual de etiqueta”.

 

 

 

O que é que faz falta às crianças de hoje?

 

É difícil particularizar, dado que, como afirmou Ortega y Gasset, “nós somos nós e as nossas circunstâncias”, e as circunstâncias variam quase tanto como as pessoas. Todavia, creio que falta cultivar a frugalidade, o que é diferente da pobreza, embora muitas vezes confundida. Ser pobre é não poder ter. Ser frugal é poder ter e não querer ter porque será redundante, exagerado ou desperdício. Devemos divertir-nos mais com coisas naturais, não dispendiosas, e ensinar as crianças a amarem a vida e a balizarem os comportamentos pela ética. Confundir o Bem e o Mal e desculpar ou branquear o Mal é um dos problemas com que nos enfrentamos. Simplicidade, humildade, cultura, divertimento com coisas pequenas, relações interpessoais e não meramente em redes sociais… enfim, fica uma ideia. Mas, note-se, não defendo, pelo contrário, o regresso à Idade das Cavernas!

 

 

 

E o que é que as faz felizes?

 

Serem amadas. Sentirem-se amadas, acompanhadas, orientadas. Sentirem limites. Saberem que alguém se preocupa em ensiná-las e terem gosto em aprenderem, em aperfeiçoarem-se, em serem melhores e transcenderem-se, e também em fazerem bem “porque sim”, como pessoas honradas e cidadãos intervenientes que devem ser. A felicidade passa também por se sentirem únicas, importantes e imprescindíveis. Claro que um geladinho ou chocolates, um passeio ou um cinema de vez em quando também as faz felizes, tal e qual um beijinho inesperado no meio do corredor ou um abraço “só porque apetece”… e aos pais igualmente, quando as acompanham nesses momentos irrepetíveis. 

 

 

 

http://www.paisefilhos.pt/index.php/destaque/7506-o-mimo-nunca-estraga-uma-crianca?start=1

publicado por salinhadossonhos às 01:54
Sexta-feira, 05 / 09 / 14

Brincar é essencial

O brincador

«Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.

Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.

Quero brincar de manhã à noite, seja no que for.

Quando for grande, quero ser um brincador.

Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.

Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.

Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador...

A mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: “é assim a vida”. Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.

A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: “Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras.»

Álvaro Magalhães 

publicado por salinhadossonhos às 05:12
Terça-feira, 08 / 07 / 14

21 receitas para pôr regras no seu filho

Escrito por Eduardo Sá Sexta, 28 Março 2014           

  

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1. As crianças necessitam de regras − coerentes, constantes e claras − sejam elas trazidas pela mãe ou pelo pai.
2. As regras da mãe e do pai, para serem saudáveis, não podem ser (milimetricamente) iguais. Precisam de zonas de tensão, climas duma certa aragenzinha do género: “Querem lá ver que me está a desautorizar...” e de muita manha das crianças: quer quando falam para dentro e, duma forma angélica, presumem que se o pai não disse que não (mesmo que não tenha conseguido discernir a pergunta) é porque está de acordo com ela, quer quando dizem à mãe (tipo cachorro abandonado): “Eu queria uma coisa... mas tu não vais deixar...” (que, depois de repetida três vezes, faz com que qualquer mãe diga “Sim!!!!!!” seja ao que for). Para serem saudáveis, as regras da mãe e do pai não têm que ser um exemplo de unicidade. Precisamente, unicamente, de encontrar nos gestos de um e do outro um mínimo denominador comum.
3. As regras dos pais, ao pé das dos avós, têm sempre “voto de qualidade”. Que as regras dos avós sejam açucaradas é bom; até porque traz contraditório a alguns excessos dos pais. Que em presença de um dos pais, valham as regras dos avós, não há melhor incentivo à confusão.
4. Para as regras dos pais serem apuradas, eles precisam de esgotar, de vez em quando, as quotas de parvoíce a que todas as pessoas têm direito. Pais que nunca se enganam podem ter como aspiração ser bons governantes... Mas são maus pais.
5. Todos os pais, de coração grande, têm (por isso mesmo) a cabeça quente. Exageram, portanto, algumas vezes. Mesmo quando, duma forma ternurenta, mandam as crianças de quarentena para o quarto para pensarem nas asneiras que fizeram (que, à escala do crime económico, vale tanto como desterrar um infrator nas Ilhas Caimão para reconsiderar sobre tudo aquilo que subtraiu à margem da Lei).
6. As regras não se explicam, não se negoceiam nem se justificam. Muito menos, constantemente. Explicação será exceção. A baliza de referência para todas as regras serão os comportamentos dos pais: não é credível que os pais exijam aquilo que eles próprios, um com o outro ou com terceiros, não façam, regularmente.
7. As regras exigem-se. Não se solicitam. E essa exigência deve fazer-se de forma firme e serena.
8. Às regras não se pode chegar depois de muitas ameaças, admoestações ou avisos. E, muito menos, com decibéis em excesso ou na companhia dum olhar assustado por parte dos pais. Se fosse assim, os pais exigiriam serenidade e bom senso com a boca e alarmismo, inflamação e ira, com o seu olhar (ora hostil ora assustado). E, num caso desses, as crianças assustar-se-iam e, em função disso, tenderiam a reagir como um animal encurralado...
9. Autoridade é um exercício de bondade. Exercê-la a medo é pedir desculpa por ser bondoso.
10. Depois duma criança ser avisada duas vezes, as regras dos pais têm de se cumprir. Isto é, têm mesmo de ser levadas a efeito. Ora, se os pais avisam e não cumprem, se avisam e reagem a uma falha com mais avisos, ou se avisam e, de seguida, são desmedidos no exercício da sua justiça, tudo fica confuso e inconsequente.
11. Os pais não podem zangar-se como quem promove pagamentos por conta. Na versão do velho Oeste isso significaria: dispara primeiro e pergunta depois. Isto é: não podem zangar-se por antecipação, na esperança de que isso promova a justiça. E não podem, diante duma mesma infração, hoje, zangarem-se e, amanhã, nem por isso. Porque, ao acumularem zanga, deixam passar situações que precisariam de ser claramente repreendidas para que reajam, mais tarde, diante doutras quase insignificantes. À escala da política tributária, isso significaria zangas com juros de mora. E ninguém consegue ser justo cobrando juros sobre juros a quem quer que seja...
12. Sempre que os pais se sentem muito magoados diante dum qualquer ato dum filho, estão proibidos de reagir num impulso. É melhor parecerem vacilar em tempo real e, depois da mãe e do pai conferenciarem, mais logo, ao jantar, a coima ser clara e inequívoca.
13. A regra será: sempre que o comportamento dos filhos magoe os pais eles estão obrigados a reagir. Sempre! Magoar os pais e não ter − numa repreensão, num castigo, ou numa palmada no rabo, excecional − uma forma de sinalizar o mal que se faz aos pais, através, da dor, como um interdito, é acarinhá-lo, por omissão. No entanto, nenhuma criança se torna má sem que os pais - por aflição, por exemplo - não promovam, sem querer, várias maldades.
14. Atribuir-se a culpa dos atos duma criança ao outro dos pais ou aos avós, por exemplo, é uma forma de fugir à responsabilidade. Em caso de dúvida em relação às regras da mãe e do pai, ou dos pais e dos avós, todas as crianças elevam a fasquia das asneiras, na ânsia de verem os pais, sempre que elas passam por um nível seguinte, a conseguirem ser justos.
15. Diante das asneiras das crianças, vale pouco que os pais abusem nos castigos. Se os castigos forem ocasionais e adequados à infração, nada se perde. Se forem desmedidos ou repetidos são insensatos. Na verdade, sempre que os pais dominam a situação, em tempo real, os castigos deixam de ser precisos logo que os pais passam de verde para amarelo.
16. Se os pais exercem a autoridade a medo, assustam. Pais assustados, tornam as crianças assustadiças. Isto é, capazes de reagir de forma desafiante sempre que se sentem encurraladas entre os seus medos e os medos dos pais.
17. Se os pais exercem a autoridade de forma pesada e deprimida, assustam, também. Porque à tristeza contida dos pais chama-se hostilidade. E essa hostilidade, associada a um ralhete, onera uma repreensão com sobretaxas que se tornam enigmáticas (e injustas) para as crianças.
18. Se os pais, em vez de se zangarem, ameaçam que ficam tristes, estão a dizer às crianças que elas os magoam (e isso, regra geral, elas já sabem). E, claro, que são de porcelana, quando se trata de as proteger e reagir. Pais deprimidos são, por isso mesmo, mais abandónicos do que parecem. São amigos do queixume, mas pouco pais, portanto.
19. Se os pais não se zangam mas amuam, estão a fazer duma família uma escola de rancores. Rancor é ressentimento e ira, numa relação de dois em um. E isso torna os pais mais assustadores do que quando se esganiçam e exageram.
20. Por tudo isto, é claro que por trás duma criança difícil está um adulto em dificuldades. Mas por trás duma outra exemplar estão pais mais ou menos tirânicos. Da mesma forma, por trás duma criança certinha está alguém mais ou menos assustado que, por exigências exageradas, ainda não pôde experimentar que a função fundamental dum filho é pôr problemas aos pais.
21. A autoridade é um exercício de bondade. Aceita-se quando nos chega pela mão de quem nos ama ou das pessoas que admiramos. Mesmo que as crianças, num primeiro momento, a desafiem, que é uma forma de, por cada não (“não me doeu”, “não ouvi”, e assim sucessivamente) afirmarem (que ela só tem sentido) duas vezes. Seja como for, a autoridade pressupõe sabedoria, bondade e sentido de justiça. E nenhuma criança, nenhuma mesmo, a rejeita. Mesmo que ela chegue mediada por alguma dor. Ninguém aprende sem alguma dor. Como eu gosto dizer, a dor é o sal da sabedoria.

 

http://www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/eduardo-sa/6998-21-receitas-para-por-regras-no-seu-filho

publicado por salinhadossonhos às 02:44
Terça-feira, 01 / 07 / 14

O melhor brinquedo

Escrito por Eduardo Sá Terça, 12 Novembro 2013              

 

 

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Ter um irmão não é o melhor do mundo. Não tem uma graça por aí além não só dividir 100 por cento de pai e de mãe como, com a chegada dum irmão, passar a dispor – na melhor das hipóteses de 30 por cento de mãe e de um pouco mais de pai. Não “esfrega o ego” passar de príncipezinho ou de princesa a segunda figura, sobretudo quando os amigos da família passam a ter uma atenção mais condescendente com uma criança enquanto mimam e guardam todos os “posso pegar nele?” para quem está a chegar. E é dum desalento sem limite que, volta não volta, um dos pais repita – a propósito de tudo e de nada – “tu és o mais velho” como se, com isso, evocasse um estatuto cheio de “algodão doce” com que mima um filho mais velho quando, na verdade, essa qualidade mais parece um imposto de valor (sempre) acrescentado que estraga a boa disposição a qualquer pessoa.

 

Ter um irmão não é – mesmo! – o melhor do mundo. Significa ir ver a mãe a um local parecido com um hospital, deixá-la lá (como se estivesse muito doente) enquanto as pessoas, sempre que a visitam, em vez de tristes, lhe dão abraços e presentes, e parecessem não dar importância ao pavor duma criança dela poder... morrer. Significa estar-se, temporariamente, proibido de lhe saltar para o colo, em voo picado, e aterrar nas suas meiguices, porque ela se mexe devagarinho e, embora os seus olhos não enganem, tudo pareça ser para ela mais doído e complicado. E significa avisos contra os berros e as birras (por causa do suspeito do costume...), avisos a propósito da liberdade condicional nas idas ao parque (porque sua excelência, o bebé, não pode apanhar sol), e avisos contra o estacionamento, em segunda fila, dos brinquedos pela sala, porque o bebé se pode magoar.

 

Ter um irmão não tem graça nenhuma. Sobretudo quando uma criança “acorda com as galinhas”, se levanta “de madrugada”, se tem de vestir a correr e engolir os cereais sem direito a canal Panda enquanto ele, o “filho querido”, fica a dormir no quentinho, com a mãe, passa a manhã com ela, e tem o olhar mais açucarado do universo à espera dele, mal abre um olho. E, se ele acorda a chorar e esganiçado, ninguém o manda ser pateta e mal disposto. É por causa dessas, e por outras, que (por mais que os pais achem o contrário) quando nasce um irmão uma criança passa a ocupar tão pouco espaço que se não fosse reclamar uma chucha, outra vez, molhar a cama (de novo) contra todo o seu brio, ou fazer um esforço para não comer (para ganhar, com isso, mais umas migalhas de mãe e de pai), então sim, a síndrome de privação de colo seria uma catástrofe do tamanho do mundo.

 

E não vale (não vale!) que os pais digam, e repitam, que decidiram mandar vir outro bebé porque “o meu filho queria muito”... Imaginando que até quisesse um bocadinho, uma criança não é obrigada a imaginar todos os custos com que um pedido desses vem embrulhado. E, depois, supondo que o tenha pedido, um irmão é um irmão: não é um bebé (que não joga à bola, não brinca às escondidas e não compõe uma belíssima quadrilha para assaltar o armário das bolachas). E, por mais que, num dia mau, tenha insistido muito em ter um irmão, uma criança não é obrigada a saber que um bebé vem equipado com tantas restrições que, em vez dele ser um presente, o transformam num encargo para toda a vida. E, finalmente, quem manda os pais dizer que sim a todos os caprichos que passam pela cabeça dum filho mimado?...

 

Por outro lado, “eles gostam muito um do outro” – tão do agrado dos pais – é slogan. Nada de confusões! Aliás, como é que se pode estar como Deus e os anjos com quem nos mostra que crescer é uma espécie de promoção pelas escadas abaixo? Como é possível não ter um ódiozinho de estimação por quem, só porque reclama o nosso brinquedo favorito com o volume no máximo, merece do pai e da mãe um meloso “deixa lá!...”? E como não há-de uma criança sair do sério quando, enquanto ela tem de comer a sopa sozinha, e tem de se cansar, pegando no garfo, o “doutor bebé” tem direito a tudo e a mais alguma coisa, como se o estatuto do crescimento empanturrasse de coimas uma criança enquanto diante dum irmão, cheio de mordomias, os pais quase parece que se vendem por um minúsculo sorriso?

 

Não, eles não gostam muito um do outro! Se uma das mamas da mãe desse leitinho ao bebé e a outra coca-cola (como o Pedro chegou a perguntar) ainda vá! Mas, não sendo assim, como é que uma criança não haverá de ter um gosto particular ao insultar um irmão chamando-lhe... bebé? E porque é que há-de ser proibido que a mão se torne leve e lhe fuja e, contra a sua vontade (já se vê...), e uma criança acabe a premiar um bebé com um afetuoso... palmadão? E como é que uma criança não há-de ter uma tentação de apertar sei lá o quê à concorrência quando ouve a mãe a dizer-lhe: “Quem é o meu bebé, quem é?” (enquanto besunta o irmão com uma infinidade de beijos e de abraços)?

 

É verdade que os pais são brinquedos de imenso agrado para as crianças: são ergonómicos, preenchem as exigências de segurança da comunidade europeia para os brinquedos, não se partem em pequenas peças e, apesar das idas insistentes ao ginásio, têm os cantos arredondados (o que as protege muito de quaisquer acidentes). Mas, sim, apesar desse imenso privilégio, um irmão pode ser o melhor brinquedo do mundo: mexe-se e fala, desafia e aconchega, é rival e cúmplice, e... é parvo todos os dias (sobretudo, quando não se chega à frente para repreender os pais sempre que ralham, duma maneira mais ou menos desenfreada, com quem é mais velho). É claro que os irmãos são brinquedos muito complexos que chegam à vida duma criança vindo equipados sem folheto de instruções. E não são programáveis (o que, consoante os dias, pode ser uma desvantagem). Mas se valem o que valem, ao longo dos anos, apesar das atitudes desengonçadas dos pais, é porque as suas qualidades resistem a quase tudo.

 

Mas haja cuidado: os conflitos entre os irmãos têm, sobretudo, a ver com a injustiça dos pais. E, isso sim, é o maior dos desperdícios e maior dos riscos dum irmão. Que não pode ter nessa continuada falta de jeito que eles possam ter uma ameaça a um bem tão precioso e tão mágico como esse. Porque um irmão, um irmão de verdade, não é só um brinquedo que fala: tem um coração tão fofo e um génio tão apurado que, por mais que os pais valham o que valem (e sejam coração e sejam luz) o mundo sem um irmão nunca seria essa espécie de céu (com o frenesi duma fantástica feira) que pode ser.

 

 

http://www.paisefilhos.pt/index.php/opiniao/eduardo-sa/6677-o-melhor-brinquedo?start=1

publicado por salinhadossonhos às 03:39
Terça-feira, 03 / 06 / 14

Bolo de Infância

 


 

Bolo de Infância

Autora: Raquel Martins

Ingredientes:

  • litros de espontaniedade e doçura.
  • muita vontade de brincar.
  • milhares de fantasias para imaginar.
  • sorrisos de ternura: sem medida.
  • 12 kg de curiosidade.
  • gotinhas de inocência de baunilha: a gosto.

Preparação:

  • Aos ingredientes anteriores juntar os olhares de dois olhinhos cheios de diabruras e algumas lagriminhas.
  • Deixar repousar a mistura sobre mãos pequeninas tanto quanto for preciso.
  • Decorar com 1 kg de peripécias às cores, doces comentários e um montão de beijos gulosos.

Tempo de cozedura: varia segunda a maturação

Sugestão: não comer logo de seguida. Dar tempo para saborear.

Este miminho foi partilhado pela colega Liliana Serrano. Muito obrigada Liliana.

http://educacaodeinfancia.com/bolo-de-infancia/

publicado por salinhadossonhos às 13:00
Terça-feira, 27 / 05 / 14

As meninas são mais apegadas ao pai do que à mãe?

As mães de meninas, mais cedo ou mais tarde, podem desenvolver alguns ciúmes da cumplicidade tão forte que pode existir entre pai e filha.

Mas o que estará por trás disso? “A princípio, todo bebé, independentemente do sexo, se identifica com a figura materna, que é seu primeiro objeto de amor”, afirma a psicóloga Ana Cássia Maturano. Porém, à medida que cresce, outras relações se tornam importantes na vida dela. Enquanto os meninos se identificam com o pai, as meninas espelham-se na mãe – o que faz parte da construção da identidade masculina e feminina, respectivamente.

No entanto, entre o terceiro e o quinto ano de vida com o desenvolvimento da sexualidade, surge também uma atração pelo progenitor do sexo oposto e, ao mesmo tempo, uma disputa com o do mesmo sexo.

Essa teoria, que foi descrita por Freud no século passado, é conhecida por Complexo de Édipo – uma alusão à história da mitologia grega em que o filho se apaixona pela mãe.

“Essa preferência, obviamente, não tem conotação sexual”, diz a psicóloga. Trata-se apenas da necessidade de atenção da criança de todos que a cercam.
Os pais devem intervir explicando à criança que o casal tem outro tipo de relacionamento – e isso não significa que ela seja menos amada.
Mas e no caso de famílias onde um dos pais não está presente?
É possível que a identificação ocorra com outras figuras paternas e maternas, até mesmo fora do ambiente familiar.

O problema é quando tanto o pai quanto a mãe reforçam o sentimento inconscientemente, em vez de combatê-lo de maneira positiva. Assim, a menina torna-se  na “filhinha do papá” e o menino, no “filhinho da mamã”.

Além de motivar rivalidade e/ou competição ou entre a filha e a mãe ou o filho e o pai para o resto da vida, tal comportamento pode interferir no amadurecimento da criança e, por consequência, nos futuros relacionamentos dela”, alerta Ana Cássia.

A menina, por exemplo, procuraria a figura do pai num companheiro. Mas é claro que, teorias à parte, a ligação mais forte com um dos pais pode perpetuar-se sem qualquer motivação psicológica, indicando apenas uma questão de afinidade.

Por Malu Echeverria, para Crescer. Adaptado por up To Lisbon Kids

 

 

http://uptolisbonkids.com/category/opiniao/

publicado por salinhadossonhos às 21:19
Terça-feira, 20 / 05 / 14

O que deve saber uma criança de 4 anos?

Esta semana estive na escola dos meus filhos, na festa que normalmente é preparada entre alunos e professora para celebrar o dia da mãe. Nestas reuniões temos sempre a oportunidade de nos cruzarmos com umas espécies, também elas mães, que encaram a maternidade como uma corrida. Uma verdadeira corrida contra o tempo e contra a criança. Trata-se de uma competição renhida que disputa o troféu “Estatuto de melhor mãe”. O problema é que é considerada “a melhor mãe” aquela que apresentar o número mais rico neste concurso de talentos e destrezas do filho, como se se tratasse de um concurso de saltos de pulgas amestradas.

“A minha filha de 4 anos sabe o alfabeto completo, soletra 10 palavras, e sabe fazer contagem decrescente desde o 100. Anda de bicicleta, monociclo e faz surf. Mas claro, o surf é só nos dias que não vai para o Ballet, porque a dança é mesmo a sua paixão desde os 2 anos… E a sua filha, o que é que faz?”

“A minha filha brinca!”

E vejo aquela cara de suspense à espera que eu acabe a frase, como se fosse obrigatório acrescentar mais qualquer coisa.

Esta moda de que crianças têm de saber fazer várias coisas para se tornarem adultos de sucesso e, devem frequentar várias atividades para desenvolver mais competências (e o tempo para brincar, onde fica?) não podia ser mais absurda.

Resolvi fazer uma pesquisa para perceber se havia ou não “metas” que as crianças deveriam alcançar com esta idade.

Encontrei um artigo de uma mãe de 5 filhos que escreve o blog A Magical Childhood, que vai exatamente de encontro a este meu pensamento. Alicia Bayer criou uma lista simplesmente deliciosa que define o que uma criança de 4 anos deve saber e outra, que considera mais importante, que define o que os pais devem saber. Foram traduzidas e adapatdas pela Up To Lisbon Kids, e aqui ficam:

Uma criança de 4 anos deve saber que:

  • É amada total e incondicionalmente , todo o tempo.
  • Está segura.Deve saber regras de segurança para se manter segura em público, com outras pessoas, e em situações diferentes. Deve saber que não tem de fazer coisas que não quer ou que com as quais não se sente bem, independentemente de quem lhe peça para o fazer.
  • Deve saber rir com vontade, ser pateta quando lhe apetece, e ser criativa. Deve saber que o céu pode ser pintado de cor de laranja se quiser, e que pode desenhar gatos de 6 pernas. Deve saber usar a imaginação.
  • Deve saber de que é que gosta, quais são os seus interesses e deve poder descobri-los e desenvolvê-los. Se não se interessa por números, os pais devem perceber que vai aprende-los sem querer, vai acabar por tropeçar neles e mergulhar nesse novo mundo deixando para trás os dinossauros, as bonecas ou as sopas de lama.
  • Deve saber que o mundo é mágico e ela também. Deve saber que é maravilhosa , brilhante , criativo, compassivo e única. Deve saber que é tão importante fazer colares de flores, castelos na areia, e casas de fadas como praticar a fonética.

Os pais precisam de saber que:

  • Cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer contas no seu próprio ritmo e isso não terá qualquer influência sobre a forma como ele vai andar, falar, ler ou fazer contas.
  • Que o único grande preditor de alto desempenho académico é a leitura para as crianças. Não são livros de atividades, não são infantários da moda, não são brinquedos com luzes ou computadores, mas sim a mãe ou o pai (ou os dois) a passarem tempo com os filhos todos os serões e ler-lhes uma história.
  • Que o melhor aluno da turma nem sempre é o mais feliz. Não há nada que relacione o bom desempenho escolar nestas idades com a felicidade de cada criança. Às vezes estamos tão envolvidos a tentar criar vantagens na educação dos nossos filhos que acabamos por sobrecarrega-los com atividades, tornando o seu dia a dia tão stressante e preenchido como o nosso. Uma das maiores vantagens que podemos dar aos nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.
  • Que os nossos filhos merecem crescer rodeados de livros, natureza, fontes da arte e ter a liberdade para  explorá-las. A maioria de nós poderia livrar-se de 90% dos brinquedos dos nossos filhos que não faria qualquer diferença, mas há algumas coisas que são importantes: brinquedos construtivos, como legos e blocos, brinquedos criativos, como todos os tipos de materiais de arte, instrumentos musicais ( reais e uns multiculturais ), vestir roupas e disfarces e livros , livros , livros. 
  • Que os nossos filhos precisam mais de nós. Mais do nosso tempo. As revistas para pais recomendam que consigamos dedicar 10 minutos diários a cada filho e que as famílias devem organizar pelo menos um sábado de atividade conjuntas. Isso não é o suficiente! Os nossos filhos não precisam das consolas, dos computadores, das atividades extra-escolares, das aulas de ballet ou do futebol como precisam de nós.
  • Precisam de pais que se sentem e conversem com eles sobre como foi o dia, de mães façam trabalhos manuais com eles. Precisam de pais que leiam histórias com eles e façam figuras de parvos a criar diferentes vozes para os personagens, só porque é mais divertido.
  • Precisam de pais que passeiem com eles e não se importem de fazer o trajeto a velocidade caracol, e se necessário uma parte ao colo. 
  • Precisam de pais que tenham tempo para os deixar ajudar a fazer o jantar, ainda que muitas vezes só atrapalhem.
  • Precisam de saber que são uma prioridade para nós. Que estão à frente de tudo, e que nós, pais, gostamos realmente de passar tempo com eles.

Afinal, que precisa uma criança de 4 anos?

Muito menos do que no apercebemos, e muito mais…

imagem@Tricae

 

http://uptolisbonkids.com/2014/05/10/o-que-deve-saber-uma-crianca-de-4-anos/

publicado por salinhadossonhos às 21:21
Terça-feira, 06 / 05 / 14

És, definitivamente, uma mãe quando…

Foi perguntado às mãe no wemotherso que significa ser mãe. O que caracteriza este grupo tão heterogéneo, e que faz com que seja tão consistente. As respostas, a és uma mãe quando, foram as seguintes:

 

  • Fazes mais em sete minutos do que a maioria das pessoas ao longo do dia .
  • Horas felizes são aqueles 60 minutos entre o momento em que os miúdos adormeceram e a hora que vais para a cama
  • Uma noite de bebedeira requer maior recuperação do que uma operação cirúrgica menor.
  • Um copo de vinho, por vezes, conta como uma peça de fruta.
  • Fazes mini sessões de terapia ao longo do dia com qualquer pessoa que te dê conversa.
  • Ir ao supermecado sozinha é como ir de férias.
  • Sabes perfeitamente o que é estar no céu e no inferno ao mesmo tempo
  • Medes a dor física em três níveis, mínima, média e pisar um lego.
  • Tens a capacidade de ouvir um espirro através de portas fechadas no meio da noite, a dois quartos de distância, mesmo com um ronco tipo caldeira partida ao teu lado.
  • Preferes ter 40 graus de febre do que ver como qualquer um dos teus filhos sofrem com ela.
  • Preferes dormir do que fazer sexo.
  • Um banho de 15 minutos com a porta fechada é um dia no spa .
  • Fazer xixi em público faz parte da rotina diária.
  • Usas toalhetes para limpar qualquer mancha e painel de instrumentos.
  • Trancas-te na casa de banho e finges uma diarreia só para ter um momento de sossego.
  • Pertences a vários grupos de mães no FB.
  • Tens um esconderijo para os teus chocolates, porque sinceramente às vezes não te apetece partilha-los com ninguém
  • Ficas três dias a lavar a mesma roupa porque te esqueceste de as pôr a secar.
  • Percebes que está a ver desenhos animados sozinho, e os teus filhos estão na cama há meia hora.
  • Consegues fazer o jantar, amamentar, falar ao telefone e gritar com as crianças, tudo sem perder o ritmo ou deixar escapar qualquer programa de TV que estás a seguir.
  • Ficas mais entusiasmada com o novo catálogo de roupa infantil, do que com o de adulto.
  • Decides que vais ficar com o teu carro por mais uma década, pois: a) não te podes dar ao luxo de mudar b) Não encontraste um sítio que te saibam limpar manchas de vomitado e leite dos estofos do carro
  • No fim do dia, escovar os dentes é uma grande conquista .

 

Texto publicado em Huffingtonpost

http://uptolisbonkids.com/category/opiniao/

publicado por salinhadossonhos às 21:30

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